Conversão


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Hoje é “dia do Senhor”, domingo, momento de oração, reflexão e descanso

A semana que terminou foi marcada por situações tranquilas e outras, agitadas. Em tudo a “mão de Deus” agiu. Deus não é teoria, nem ilusão ou fantasia. Ele é muito concreto e nas ações de cada dia ele se faz presente e em cada ação diária que praticamos devemos transmiti-lo. O tema da celebração eucarística deste domingo é a conversão. Para se converter é necessário jogar fora muitas coisas que nos estragam, é necessário “escutar” a novidade que Deus propõe e dizer, como São Paulo disse: “Tudo posso naquele que me fortalece”. Um dos caminhos fundamentais para a nossa conversão é a “escuta da Palavra de Deus”.

PRIMEIRA LEITURA
A primeira leitura de hoje (Jonas 3), narra a conversão de Nínive segundo o livro de Jonas. Deus quer a conversão de todos, e não só do povo de Israel. Por isso, Jonas deve pregar a conversão em Nínive, capital do império dos gentios (a Assíria). E acontece o que um judeu piedoso não poderia imaginar: a cidade se converte em conseqüência da pregação do profeta fujão.
Nínive está reduzida a um montão de escombros há quase 200 anos. Os israelitas a odeiam, torcem com impaciência por sua destruição e se perguntam como poderão apressar o dia da vingança. Jonas representa os israelitas que nem sequer querem ouvir falar da conversão dos pagãos. Querem apenas que sejam castigados e acabou-se. Quando é chamado pelo Senhor, o profeta não responde uma só palavra. Desce até o porto de Jope e, em vez de tomar um navio que se dirige para o Oriente, viaja para o Ocidente, rumo a Tarsis. Diante da teimosia do seu enviado, Deus não desanima. Jonas é jogado ao mar, um enorme peixe o engole e o reconduz à praia. Estando ali, lhe é dirigido o convite do Senhor: “Levanta-se, vai para Nínive, a grande cidade e anuncia aos seus habitantes aquilo que eu te disser”.
Contrariado, de cabeça baixa, dessa vez ele tem mesmo que ir e, contra qualquer previsão, os ninivitas acreditaram nas suas ameaças e se convertem! Que mensagem a narrativa nos transmite? É difícil renunciar ao prazer de ver sofrer aqueles que nos oprimiram e humilharam. Este sentimento, porém, não é cristão. Na leitura de hoje Deus ensina que não existem inimigos a serem derrotados, mas irmãos que devem ser convertidos e ajudados para conseguirem a felicidade. Quando temos que lidar com pessoas muito perversas, às vezes nos sentimos tentados a pensar como Jonas pensou que não vale a pena procurar mudar o seu coração e a sua vida. O autor do livro de Jonas destaca, além disso, um fato surpreendente: enquanto o povo de Israel, que se proclama justo, em verdade tem um coração duro e não dá ouvidos à voz dos profetas, os ninivitas, pagãos desprezados e pecadores, diante das primeiras palavras do Enviado de Deus, mudam imediatamente o próprio modo de vida.

SEGUNDA LEITURA
Paulo responde a perguntas com relação ao casamento (1ª Carta aos Coríntios 7). As respostas, cheias de bom senso e sem desprezo algum da sexualidade revelam que tudo isso não é o mais importante para quem vive na expectativa da parúsia. “O tempo é breve”, matrimônio ou celibato, dor ou alegria, posse ou pobreza são, em certo sentido, indiferentes. O estado de vida é realidade provisória, que perde sua importância diante do definitivo que se aproxima depressa. Paulo, como os primeiros cristãos em geral, acreditava que Cristo voltaria em breve. Na continuação dos texto, Paulo mostra o valor de seu celibato como plena disponibilidade para as coisas de Cristo – uma espécie de antecipação da parúsia. Casamento, prazer, posse, como também o contrário de tudo isso, são o revestimento provisório da vida, o “esquema” que desaparecerá. Já temos em nós o germe de uma realidade nova, e esta é que importa. São Paulo quer alertar a todos que no Reino de Deus não haverá mulher nem marido, porque todos serão iguais aos anjos de Deus.

EVANGELHO — SÃO MARCOS 1
O trecho de hoje (São Marcos 1) começa com uma breve introdução em que entra em cena Jesus percorrendo povoados nas montanhas da Galiléia, anunciando o Evangelho. Também, a primeira frase que ele pronuncia: “Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo: fazei penitência e crede no evangelho”. É o resumo de toda a sua mensagem. Fala, antes de tudo, do “Reino de Deus”. Israel passou por uma história de 400 anos de monarquia. A apreciação que a Bíblia apresenta dos soberanos é negativa. Alguns esperam a restauração da dinastia de Davi, outros aguardam a vinda de um messias. Todos, porém, têm a certeza que somente o Senhor conseguirá reerguer o destino de Israel. Como? Assumindo pessoalmente o comando, proclamando-se ele mesmo rei, em substituição a todos os demais soberanos indignos.
Marcos apresenta Jesus como o arauto, o mensageiro encarregado de proclamar aos homens uma notícia extraordinária, surpreendente, capaz de despertar júbilo imenso. Há duas condições para sentir essa alegria: é preciso “converter-se e acreditar”. A conversão envolve uma mudança radical no próprio modo de pensar. Além disso é preciso crer. A fé não consiste em raciocínios processados com a mente, não pode se reduzir à aprovação intelectual daquilo que Jesus disse, ao conhecimento daquilo que ele fez, à admiração pela inegável sabedoria da sua mensagem, mas consiste na adesão corajosa e incondicional à sua proposta de vida.
A “grande notícia” proclamada por Jesus continua ecoando pelo mundo através das nossas comunidades. A mensagem é muito clara para nós: quem quer seguir Jesus ao longo do caminho que mal começou, não deve imaginar que o caminho a ser percorrido seja fácil. O Mestre não deixa descansar nem por um instante. Não dá meses de férias, nem dias ou horas de folga, exige que o discípulo mantenha o ritmo da marcha, sem parar. Para ser cristão não é suficiente aprender o catecismo. É preciso ter disposição para seguir Jesus em qualquer momento; quando nos é exigida paciência para aturar um vizinho chato, quando devemos perdoar alguém que nos contraria, quando somos solicitados a sacrificar o nosso egoísmo para ajudar os outros.

José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br

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