Quando a obrigação da honestidade vira virtude


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“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto!” Ruy Barbosa profetizou tudo o que vemos hoje, mesmo tendo proferido esse discurso há quase um século. Ele já pressentia que chegaríamos a um ponto de tamanha falta de respeito e caráter entre as pessoas, que uma atitude que devia ser encarada como obrigação passa a ser uma virtude, como devolver uma quantia em dinheiro ou objeto de valor ao legítimo dono. Quando isso acontece, vira notícia no rádio, TV e jornal. Pais ensinam os filhos como burlar as leis para conseguir um documento ou subornar alguém para evitar uma punição ou mesmo a usar descaradamente o salário-desemprego, mesmo estando com novo trabalho. E vai por aí afora. Foi-se o tempo em que um fiozinho do bigode valia como documento. Quando a vergonha na cara fazia a pessoa se desesperar por estar com uma dívida e não ter como pagar. Hoje, quase ninguém perde ao menos o sono por isso. Peso na consciência, atualmente, é como o caso do sujeito que recebeu na sua loja, de um freguês conhecido, uma nota de R$ 100. Quando ele saiu, verificou que haviam duas notas coladas. Aí, ficou na dúvida cruel: Contaria ou não para o seu sócio?...
 

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