Sem farsa, mulher de 34 anos dá luz a quadrigêmeos em Minas


| Tempo de leitura: 3 min
À mostra - A monitora de alarmes Cláudia Soares Raposo, 34, mostra em foto do arquivo da família sua barriga durante a gravidez dos quadrigêmeos que nasceram na sexta-feira
À mostra - A monitora de alarmes Cláudia Soares Raposo, 34, mostra em foto do arquivo da família sua barriga durante a gravidez dos quadrigêmeos que nasceram na sexta-feira

Após oito anos de casados, o autônomo Alysson Hayalan Freitas, 34, e a monitora de alarmes Cláudia Soares Raposo, 34, realizaram o sonho de se tornar pais. Depois do trauma enfrentado há dois anos com a perda de um filho - o bebê se alojou no intestino e a mãe sofreu um aborto no quarto mês de gestação -, eles comemoram o nascimento de quatro bebês de uma vez.

Os quadrigêmeos, três meninos e uma menina, nasceram no oitavo mês da gravidez, no Hospital Universitário de Montes Claros (MG), a cerca de 800 quilômetros de Franca.

A data do nascimento, 20 de janeiro de 2012, é recheada de coincidências para a família. O avô dos recém-nascidos faz aniversário neste dia. Quadrigêmeos nascidos em Belo Horizonte (MG) completaram dez anos nesse dia e, como vivem em Montes Claros, querem conhecer os bebês de Alysson e Cláudia.

Outra coincidência de data se refere ao caso da pedagoga Maria Verônica Aparecida Vieira, 25, que ficou conhecida como a “supergrávida de Taubaté”. Foi na sexta que o advogado Enilson de Castro revelou que tudo não passou de uma farsa. A mulher, com uma barriga gigante (que seria de silicone) havia dado várias entrevistas afirmando que esperava quatro filhas.

A atitude de Verônica deixou Alysson e Cláudia indignados e ele decidiu enviar e-mails para vários veículos de comunicação como forma de protesto. A mensagem chegou ao Comércio da Franca na noite de sexta-feira. “Ficamos indignados com esta farsa que veio à tona, pois estávamos grávidos de quadrigêmeos de verdade e não tivemos apoio dos veículos de comunicação para contar nossa história que, além de verídica, é muito sofrida e muito linda”, escreveu Alysson na mensagem.

Ontem, o Comércio entrevistou Alysson por telefone, enquanto ele estava no hospital com a mulher e os quatro filhos. “Escrevi para a imprensa para protestar porque, desde que vimos a reportagem da Verônica, estranhamos o comportamento dela. Minha mulher, mesmo sem ter engordado tanto [diz que ela perdeu 15 kg no início e depois ganhou 8 kg], estava com dificuldades. A gente estava vivendo uma história verdadeira e difícil”, disse ele.

BEBÊS DE PROVETA
Cláudia tinha dificuldades para engravidar. Após perder o primeiro filho, uma de suas trompas ficou obstruída e reduziu pela metade a chance de ela se tornar mãe. Depois de fazer um tratamento hormonal, a mineira decidiu correr atrás do último recurso para realizar o desejo de vivenciar a maternidade. Contratou a Clínica Fértil - Reprodução Humana, em Montes Claros, e desembolsou R$ 15 mil para a fertilização in vitro.

Foram implantados em seu útero quatro embriões e, para a surpresa do casal, todos sobreviveram. “Foi um tiro no escuro porque a gente só tinha dinheiro para essa tentativa. Rifamos um micro-ondas, vendemos a moto e juntamos os R$ 3 mil que minha mulher recebeu de seguro após cair da moto para poder pagar. Muitos amigos e parentes também ajudaram. É um sonho realizado”, disse o marido.

Alysson e Cláudia ainda tentam se acostumar com a ideia de cuidar de quatro bebês ao mesmo tempo.

“Quando descobrimos que eram quatro, perdemos uma semana inteira de sono. Depois fomos nos acostumando. O medo era passar necessidades porque nossa família é muito humilde.” Os berços, roupas e fraldas o casal já conseguiu organizar.

CHEGOU A HORA
Na sexta-feira, a bolsa rompeu e Cláudia precisou antecipar a cesariana, no oitavo mês de gravidez. Os bebês nasceram saudáveis, mas permanecem internados na UTI por serem prematuros. Os meninos chegaram primeiro. Hartur pesa 1,750 kg; Heitor, 1,685 kg; Felipe, 1,375 kg e Lívia, 1,210 kg. O nascimento deles foi muito rápido, segundo o pai. Eles nasceram entre às 15h07 e 15h10. Alysson disse que não teve coragem de acompanhar o parto.

“Mas, estamos preparados psicologicamente para o trabalho de cuidar dos meninos e da menina”, disse o pai.


Prematuros - Dois dos bebês, que nasceram saudáveis, mas permanecem internados 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários