Acabo de ler O museu da inocência do consagrado escritor turco Orhan Pamuk, Prêmio Nobel de Literatura de 2006. Também são de sua autoria, Istambul – uma narrativa que expõe sua cidade sob ângulos sociológico, antropológico, psicológico, familiar, geográfico, entre outros, além de explicitar os costumes da época –, O castelo branco, O livro negro, A maleta do meu pai, Meu nome é Vermelho, Neve e outras cores.
O Museu da inocência, com 562 páginas, é um romance ambientado também na Istambul das décadas 1950/60, até os nossos dias. A narrativa é, às vezes, um tanto prolixa para cumprir a trama do profundo amor do personagem principal, Kemal, por uma linda moça de nome Fusun, sua prima distante, apesar do seu compromisso com Sibel. O enredo é comovente, com lances inesperados.
Curioso observar que, durante a sua exposição, o autor faz algumas referências a fenômenos mediúnicos e a espiritismo, conquanto não cogite do Espiritismo enquanto doutrina.
Um exemplo é quando narra a ida de sua quase noiva Sibel à casa de uma médium para consultar os espíritos. Por intermédio de uma xícara de café, os espíritos são consultados sobre questões de interesses materiais. Há uma grande agitação na xícara, mas não se pode identificar quem está comunicando e o que está querendo dizer. Aí o autor confunde mediunidade e Espiritismo. Confusão natural, aliás, para quem desconhece o assunto, porquanto, mediunidade, necessariamente, não quer dizer Espiritismo. Conquanto seja a Doutrina Espírita quem emprestou dignidade ao fenômeno mediúnico, tirando-o do terreno do misticismo e da superstição com explicações necessariamente científicas, o Espiritismo não é o inventor e nem o dono da mediunidade, posto que ela é inerente ao ser humano, sempre existiu e estará sempre onde estiver o homem, independentemente de crença, sexo, idade, raça... Mediunidade está nas prisões, nos hospitais, nas escolas, nos lares... Isto não quer dizer, contudo, que, necessariamente, haja, ali, Espiritismo. Porquanto, este só estará presente nas ocorrências de fenômenos que se realizam para o bem, sem cobrança de qualquer valor e para tratar de assuntos espirituais, nunca de questões materiais. Esta, a grande diferença!
A mediunidade é um aspecto da Doutrina Espírita, não o principal. Tanto que Allan Kardec, o codificador do Espiritismo, afirma que a Doutrina suplantou o fenômeno. Claro que o fenômeno é importante elemento de convicção, porém, os esclarecimentos oferecidos pela Doutrina Espírita, além de consolarem, esclarecem sobre os diversos aspectos da existência humana.
Podemos concluir que o fenômeno é a aparência, enquanto que a Doutrina é a substância. A aparência emociona, mas a substância alimenta.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita
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