Toda vez que chove, quatro famílias moradoras do Jardim Paulistano II travam uma luta contra a invasão da água em suas residências. Os imóveis estão construídos num ponto mais baixo da rua Salvador Bernal Gonsales, na altura do número 891, e recebem as águas vindas da avenida Brasil e das ruas Gilberto de Aguilar e Mário Martins. Nos dias de chuva intensa, um rio se forma na rua e a enxurrada ameaça inundar as casas, o que já aconteceu e provocou prejuízos aos moradores.
A pespontadeira Maria José, 50, mora no Jardim Paulistano II há 25 anos e lamenta as perdas que teve com os alagamentos. “Inunda a rua sempre e meu quintal também. Direto a gente tem que sair ajudando os vizinhos para tirar as coisas do chão. Já perdi muito material de construção e a água derrubou meu muro duas vezes.”
Depois de tantos anos enfrentando o mesmo problema, Maria José aprendeu quando terá transtornos com a chuva. Pelo barulho das tempestades já sabe se tem que se trancar em casa para que não seja tomada pela água. “Para não inundar minha casa, eu fico ilhada lá dentro porque fecho tudo. Já fiquei ilhada várias vezes sem poder abrir o meu portão senão a água entra e acaba com minha casa. Sempre dou um jeito de colocar sacos de areia para tentar impedi-la”, disse ela.
O lavrador aposentado Expedito Souza, 76, mora com a mulher, a filha e neta na rua Salvador Bernal e passa apuros em dias de chuva. Para aumentar a vazão do bueiro em frente à residência, ele mesmo faz a retirada de galhos, sacolas e outros lixos que entopem a rede, mas nem sempre essa faxina resolve. “A tubulação aqui é fina e não aguenta escoar toda água”, disse. O fato de a casa ter sido construída abaixo do nível da rua agrava a situação no local. A correnteza sempre escoa pelo quintal. Na tarde da última terça-feira, a área ficou com água a 20 centímetros de altura. “Na hora da chuva geralmente está só eu e minha mulher e a gente não tem muita força para impedir a entrada da água, então a gente passa apertado. Teve uma vez que tive de me apoiar no carro estacionado na garagem para conseguir segurar o portão que estava sendo empurrado pela água.” Expedito usa um pedaço de madeira com borracha para colocar na entrada da casa e cercar a enxurrada.
A servente Maria Helena Paiva, 54, costuma deixar a chave de sua casa com a vizinha toda vez que sai para trabalhar. O medo é ter a casa alagada e perder tudo por não estar perto para socorrer. “Faz muitos anos que a gente sofre com os problemas da chuva aqui.” Na terça-feira passada, recebeu um telefonema da vizinha perguntando se ela se encontrava em casa durante a chuva, porque o portão estava com água até na metade e ela não deveria abri-lo. “A gente fica olhando os corredores ao lado da casa para ver se há risco de subir muito a água e invadir os cômodos. Já cheguei a fazer buraco na parede da cozinha para a água escoar. Meu marido pensou em construir uma mureta para proteger o corredor, mas a gente ia ter que ficar pulando para entrar em casa e desistiu da ideia.”
Os moradores reivindicam que a Prefeitura realize obras na região para liquidar o problema das inundações. A sugestão é aumentar os pontos de escoamento das chuvas na avenida Brasil. “Se não desviarem a água da rua Salvador Bernal o problema que enfrentamos será eterno, nunca vai resolver”, disse Maria José.
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