Observo, já de algum tempo, que o ser humano, de uma maneira geral, é acomodado. Há exceções, obviamente. Repele com veemência a idéia de mudar. Prefere viver em uma zona de conforto, sem se esforçar para obter grandes transformações.
Parece evidente que o crescimento e o aperfeiçoamento das pessoas passam, necessariamente, pela mudança de comportamento, de atitude, de maneira de ser e agir. Óbvio que estou me referindo a mudanças positivas. Mudar para viver um momento novo e melhor.
Não há dúvidas de que mudar, seja qual for à natureza da mudança, exige atitude, pois junto com as mudanças vêm os grandes desafios. Várias pessoas deixam grandes oportunidades passarem, exatamente por recearem assumir mudanças em suas vidas.
Incontáveis foram os expoentes da história da humanidade que marcaram as suas trajetórias em nosso planeta, no momento em que decidiram mudar o rumo de suas vidas, assumindo todos os riscos naturais dessas mudanças. Decidiram e colocaram em prática.
Não basta, evidentemente, querer. É fundamental assumir todos os riscos inerentes à caminhada rumo às transformações.
Parece bastante evidente que o grande inimigo das mudanças na vida das pessoas, é a acomodação. Acomodar significa conformar, aceitar passivamente uma situação. Há pessoas que chegam ao absurdo de se acomodar com o desamor, com a miséria, com o sofrimento e até com a dor. Isso é inaceitável.
Será que a resistência do ser humano às mudanças é por que a novidade assusta? Será que é por que temos medo do novo? Ou será que é por que toda mudança implica, necessariamente, em algum risco, por menor que seja?
Penso serem afirmativas as respostas a todas essas indagações. É inegável que toda mudança gera, necessariamente, uma crise, ainda que ela se manifeste apenas no início do processo. O novo, geralmente, vem associado ao desconhecido.
É comum depararmos com pais que lamentam ter o seu filho optado, já no meio do curso, por outra faculdade, submetendo-se a outro vestibular. Também é comum pais lamentando o fato da filha ter terminado um namoro de muitos anos com moço que a família julgava ser o ideal. Ora, penso ser preferível mudar enquanto se tem tempo, do que se tornar, no futuro, um profissional incompetente e frustrado. Também é melhor romper um namoro de anos do que se tornar, no futuro, uma pessoa infeliz.
Óbvio e evidentíssimo que ninguém defende mudanças inconseqüentes e abruptas, mas aquelas sedimentadas e que se processem de maneira gradual e de forma sensata, realizadas com método, critério e, principalmente, com os pés no chão. Mudo, logo existo!
Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial e professor da Faculdade de Direito de Franca
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