Parte do almoço dos funcionários da Indústria de Calçados Salustiano, no final da manhã de ontem, foi ocupada pelo protesto realizado pelo Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Calçados do Município de Franca em frente à sede da fábrica no Jardim Paulistano. O objetivo era forçar a direção da empresa a tomar providências em relação às denúncias de assédio sexual registradas contra um dos gerentes da unidade.
Fábio Cândido, presidente do sindicato, disse que a medida extremada foi tomada depois que os donos da Salustiano se recusaram a apurar as denúncias. “Nós recebemos cinco queixas sobre esse chefe de seção. Nós falamos com eles (os donos da fábrica) e eles disseram que não acreditavam, que não fariam nada. Essa também não foi a primeira vez que essa empresa esteve envolvida neste tipo de reclamação, por isso resolvemos ir pra lá”, disse ele.
O protesto em frente à fábrica reuniu cerca de 20 pessoas e durou pouco mais de 20 minutos. Com medo, as funcionárias presentes não quiseram gravar entrevista. Disseram apenas que o gerente acusado tem pouco mais de 60 anos, está na empresa há pelo menos uma década e é “bastante estúpido”. Das cinco entrevistadas, nenhuma disse ter presenciado cenas de assédio sexual.
O gerente acusado não estava na unidade na hora do protesto e ninguém quis fornecer o telefone dele para que a reportagem pudesse entrar em contato. Um homem apontado como um dos donos da empresa, mas que não quis se identificar e que acompanhou o protesto, foi bastante ríspido e ameaçou a reportagem. “Quando uma pessoa está nervosa, é melhor a pessoa não insistir em conversar. Não temos nada a dizer sobre este caso. Não queremos o nome da nossa empresa no jornal e eu, se fosse você, não me provocava”, amea-çou.
Mais tarde, no início da noite, ao ser procurado por telefone, um outro homem, que se identificou apenas como Cacildo e que seria o outro sócio da empresa, disse que, ao contrário do que havia afirmado o presidente do sindicato, ele não sabia das denúncias. “Não fui notificado sobre essas queixas. Esse protesto nos pegou de surpresa”, disse.
Sobre as medidas que serão adotadas, ele afirmou que esperará a notificação oficial por parte do sindicato dos sapateiros para começar a agir. “Não tenho como falar nada agora. Nem sei o que está acontecendo. Assim que for notificado, vamos apurar, saber o que houve, acionar os advogados e tomar as medidas que forem cabíveis”, disse. O Ministério do Trabalho deve investigar as denúncias (leia mais em texto nessa página).
Nos últimos 50 dias, o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Calçados do Município de Franca registrou 12 queixas de assédio sexual contra mulheres envolvendo três empresas. Duas delas, que não tiveram os nomes revelados, já teriam tomado providências contra os supostos agressores.
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