Edson Arantes e Marco Felippe
Uma forte pancada de chuva castigou Franca na tarde de ontem. O temporal não durou mais que 40 minutos, mas foi suficiente para deixar um rastro de destruição. Casas, pontos comerciais e repartições públicas foram inundados. Na relação de prédios danificados, estão a Câmara Municipal e o Fórum. Ruas ficaram alagadas, carros foram arrastados. Árvores caíram. Segundo as autoridades, não houve vítimas. Mas, o prejuízo foi grande.
O aguaceiro desabou por volta das 16 horas e se concentrou com maior intensidade sobre a região central. Não demorou para que os córregos Cubatão e Bagres transbordassem. Parte das avenidas Antônio Barbosa Filho, Alonso y Alonso e Hélio Palermo foram alagadas. As pistas se transformaram em cachoeiras. Pelo menos cinco carros foram arrastados pela força das águas. Populares enfrentaram a chuva e a correnteza para amarrar os veículos e evitar que fossem levados. Amedrontados, motoristas trafegaram pela contramão para escapar. Grades de pontes foram arrancadas. Um idoso foi salvo de dentro de um carro por agentes da Guarda Civil. Bombeiros socorreram um homem que estava debaixo da ponte da rua Batatais e que não conseguia mais caminhar. “Foi uma coisa assustadora. A impressão era que a água fosse arrastar tudo o que estava pela frente”, resumiu o comerciante Eduardo Ferracini.
Inaugurado há pouco mais de um ano, o prédio da Câmara Municipal ficou inundado. As águas danificaram móveis e parte do teto. Carros de assessores que estavam no estacionamento foram alagados. Perto dali, os dois prédios do Fórum também foram atingidos. Funcionários ficaram ilhados e caixas com documentos foram molhadas. A energia foi desligada e o expediente teve de ser encerrado mais cedo.
Cenas de alagamento e de pessoas ilhadas também foram registradas em academia, lojas e estacionamento de veículos. No Uni-Facef, as águas do córrego Cubatão, na Alonso y Alonso, invadiram o estacionamento da faculdade. Os veículos ficaram submersos.
Do outro lado da cidade, na avenida Hélio Palermo, uma hora após o temporal ainda havia muita água e lama no estabelecimento do comerciante Márcio Azzuz. “Nunca vi uma chuva deste jeito. Entrou água nos carros, nas salas e nos computadores. Queimou tudo. O prejuízo foi grande. A sensação é de desespero. Na hora, você não sabe o que faz.”
No Parque Dom Pedro, o servidor municipal Milton Dionízio chegou em casa e encontrou as paredes da sala e do quarto arrebentadas. Havia blocos de tijolos jogados a dez metros de distância. “Parece que foi uma bomba ou um furacão que passou por aqui.” Mas foi a força das águas. Acostumado a socorrer vítimas, o capitão Araújo, da Polícia Militar, passou por transtorno semelhante no Bairro Santa Adélia e, desta vez, foi ele quem precisou de ajuda. “Um muro de arrimo mal feito em um terreno vizinho desabou. A água e a lama invadiram minha casa e provocaram um grande estrago.” Ao menos outras quatro residências também foram alagadas. Um muro da Escola “Caetano Petráglia” não resistiu e tombou.
A umidade e o forte calor, segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) foram os culpados pelo temporal. “O volume de água foi intenso e provocou muito estragado, mas, felizmente, não tivemos vítimas. Por sorte, não ventou tanto. Caso contrário, o resultado poderia ter sido pior”, comentou o tenente Marcel Filipin, comandante do posto de Bombeiros. Não há um balanço oficial dos estragos causados. A quinta-feira deverá ser de faxina e de contabilidade dos prejuízos. Mais chuva deve vir por aí, avisa o serviço de meteorologia.
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