Ministro na berlinda


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O ano não começou tão novo para os lados de Brasília. Apesar da recente chegada de janeiro, o ambiente ainda carrega os mesmos odores suspeitos que fecharam 2011. E o clima continua pesado, com aquela cara insossa de ‘déjà vu’.

Mas a culpa não é do ano, nem do tempo, mas sim de nosso sistema político, que continua permitindo o ataque de pessoas e partidos sobre aquilo que é público. Agora é a vez do pernambucano Fernando Bezerra, acusado de privilegiar seu Estado no envio de verbas públicas para minimizar as tragédias da natureza, como se apenas as cidades daquele Estado fossem acometidas por elas.

Além disso, Bezerra também é acusado de burlar a Lei do Nepotismo para manter seu irmão no comando da Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Paraíba).

É claro que muita água ainda vai rolar por baixo dessas acusações e o ministro ainda será evidenciado em muitas matérias jornalísticas. Porém, a despeito de seu desfecho, que não deverá trazer consequência mais séria para os possíveis desmandos do ministro, o que chama a atenção é o descaso de nossas autoridades para com a democracia e com os princípios fundamentais da República.

Em nome da governabilidade, parece que a política do ‘é dando que se recebe’ está totalmente descontrolada pelos lados do Planalto Central. Para manter sua base aliada, o governo acaba permitindo que suas instituições fiquem a serviço dos partidos e/ou dos interesses pessoais dos ministros de plantão, a despeito de qualquer planejamento organizacional mais sério e racional.

Esses ministros, que deveriam servir como exemplo perante toda a nação são os primeiros a burlar os princípios da ética e da moral, aqueles que deveriam nortear toda a sua conduta em um cargo de tão elevada responsabilidade pública.

Mas, se por um lado esses casos são decepcionantes aos olhos da população, desacreditando cada vez mais a já tão desgastada democracia brasileira, por outro podemos inferir que a fiscalização e a imprensa estão funcionando muito bem, porque seria muito ingênuo supor que esses abusos começaram agora, na história recente desse país. Ao contrário, eles sempre ocorreram, talvez até com mais intensidade e freqüência. Porém, em um mundo mais obscuro e autoritário, com poucos meios de comunicação disponíveis e uma população pouco escolarizada e informada, quase todas essas apropriações do bem público eram ou abafadas ou totalmente desconhecidas de boa parte da população.

Nesse sentido, é possível acreditar que a recorrência dessas notícias não aconteça em função de uma piora em nossa política desmandos e de trocas de interesses privados, mas sim por contarmos atualmente com uma imprensa mais engajada e órgãos governamentais de fiscalização mais eficientes e independentes das ingerências clientelísticas. E isso é positivo.

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