O primeiro dia da votação para eleger a nova diretoria do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Franca foi marcado por muita tensão e troca de acusações entre as chapas concorrentes. Ontem, por volta das 17 horas, um sindicalista vestindo uma camiseta da Fupesp (Federação dos Funcionários Públicos Municipais do Estado de São Paulo) surgiu na porta da sede com um hematoma no rosto e o nariz sangrando. Esta é a segunda tentativa de eleger a nova diretoria. Em dezembro, a primeira votação não atingiu o quórum necessário.
Disputam o pleito a chapa liderada pelo atual presidente do sindicato, José Nhozinho Sales Ramos, o Paraná, e a chapa da oposição encabeçada por Luiz Fernando Nascimento. Esta votação, que exige um quórum de 40% dos filiados mais um, continua até quarta-feira. Estão aptos a votar 1.296 servidores e, segundo o advogado José Antônio de Castro, que preside a comissão eleitoral, mais de 300 servidores votaram ontem na sede e por meio de seis urnas itinerantes que percorrem os locais de trabalho.
A disputa começou na Justiça. Mesmo após o início da votação, Nascimento conseguiu liminar da 2ª Vara do Trabalho que concedeu o direito de representantes da sua chapa acompanharem de perto todo o processo eleitoral.
A eleição, inclusive, extrapolou os limites de Franca. Sindicalistas da capital vieram apoiar as chapas. Em minoria, 15 representantes da CUT (Central Única dos Trabalhadores) defendiam a oposição. Da Fupesp, segundo informações de um dos representantes, vieram cerca de 240 sindicalistas.
Nascimento contesta o apoio recebido pela situação e afirma que a equipe chegou de São Paulo pela manhã em três ônibus fretados para fazer a segurança da chapa da situação. “O problema é a grande quantidade de seguranças que estão tumultuando a porta do Sindicato e intimidando o servidor a não votar”, disse o candidato da oposição.
O advogado do sindicato, Luiz Mauro de Souza, negou que seguranças tenham sido contratados pela chapa da situação. “Eles (os sindicalistas) vieram de várias cidades para apoiar a chapa, assim como outras pessoas vieram apoiar a chapa da oposição.”
Outra reclamação dos opositores foi feita pelo advogado da chapa, Tony Rocha. Segundo ele, as urnas itinerantes foram recolhidas antes do prazo para o final da votação, 17 horas. “As urnas começaram a chegar à sede do Sindicato às 15h30”, disse. O presidente da comissão eleitoral contestou. “A eleição aconteceu normalmente até as 17 horas.”
Durante todo o dia, a reportagem tentou várias vezes contatar José Nhozinho Sales Ramos. Às 19 horas, ele atendeu ao telefone e disse que estava dirigindo em uma rodovia, que não podia falar e encerrou a ligação.
A eleição continua até as 17 horas de amanhã. A apuração das urnas será feita na Câmara Municipal de Franca.
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