Rua General Osório, quarteirão onde se localizam os fundos da Escola Doutor Júlio Cardoso, vulgarmente chamada de Escola Profissional.
Um homem caminha lentamente pela calçada. Seus passos vacilantes denunciam que já ingressou na terceira idade há pelo menos vinte anos. Na esquina da Rua Campos Sales, para, cauteloso, e o gesto lhe evita atropelamento. Não evita, porém, a perda do equilíbrio: seu corpo oscila para trás, para a frente, para o lado, até conseguir apoio no muro da escola. O ciclista, no entanto, sequer toma conhecimento do ocorrido, do susto causado no pedestre. Sai da calçada, atravessa a rua, alcança a outra calçada, desvia de uma jovem, dispara em direção à Rua Tomás Gonzaga.
Um rapaz que vinha pela mesma calçada, a apenas uns dez metros do velho, acelera o passo, aproxima-se e é solícito.
- O senhor foi atingido? Precisa de ajuda?
- Não, não... foi só susto... perdi o equilíbrio... Você viu? Quase que eu caio, mas agora eu estou bem... mas foi por pouco.
- Eu vi. O senhor teve foi muita sorte mesmo.
- Tive mesmo, não é? Você sabia que só esta semana houve oito atropelamentos? Pois é. Três foram lá nas alamedas da Praça Barão, o resto foi aqui nas ruas do centro da cidade...
E o homem conta ao rapaz que viu, pertinho do Banco do Brasil, uma bicicleta jogar uma senhora lá no meio da rua. Tiveram de chamar o Resgate e levar a mulher para o Pronto Socorro.
- O bicicleteiro nem parou, sumiu no meio do povaréu.
- Devia de ter uma lei proibindo bicicleta na calçada.
- Não adianta não... Eles falam que já tem lei, mas não adianta não. Tem carro demais na rua, deve ser por isso que as bicicletas ficam correndo nas praças e nos passeios.
O rapaz arregala os olhos, despede-se, contorna a esquina, desce a Rua Campos Sales, em direção à Praça do Itaú. Na esquina, confere o semáforo: verde para pedestres. Mas ele confia mesmo é nos próprios sentidos. Para. Olha para os dois lados e aí, sim, atravessa a rua depressa.
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