E o mundo não acabou


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Para a frustração de algumas seitas religiosas, o mundo não acabou em 2011. Já estamos nos idos de janeiro de 2012 e nada do Apocalipse. É verdade que alguns tsunamis, maremotos, terremotos, vulcões, furacões e enchentes têm-nos ocasionalmente assustado. Contudo, não são sinais dos fins dos tempos. São, apenas, revoltas da natureza contra a imprudência e ousadia dos humanos.

Sem dúvida, o mundo acabou para os meus amigos Chafi Felipe, Garcia Neto e tantos outros. Porém, outros tantos mais continuam vivos, fortes e rijos, saboreando a ceia de Natal e o champanhe do Ano Novo.

Não sei por que algumas religiões têm o mórbido prazer de apregoarem o fim do mundo. E esse mau costume não é de hoje, Vem de longe. Desde o princípio do cristianismo e de outras religiões, já se proclamava, para breve, o fim do mundo. Algumas seitas chegavam a fixar o ano, o dia e a hora do Armagedon. Os anos passavam e com ele os dias e as horas sem nenhum sinal do Apocalipse. Os líderes das seitas refaziam o seus cálculos e marcavam um outro ano, dia e hora. E os crentes continuavam acreditando e, às vésperas da hecatombe, arrependiam - se dos seus pecados e pagavam os seus dízimos. De uma certa maneira, o medo causado tinha lá os seus benefícios: servia para purificar as almas pecadoras e caloteiras.

Até a ciência tem a sua visão apocalíptica do mundo. Porém, prudente, calculista e fria, ela coloca o fim para milhões e milhões de anos à frente. Até lá, ninguém de nossa geração e de outras gerações subseqüentes estará vivo.

Quando o sol esfriar, não haverá mais condições de vida no planeta Terra. Certamente, quando esse dia chegar, estaremos, graças à expansão aeroespacial de nossos tempos ( tal qual a marítima que povoou as Américas ), esquentando-nos sob o sol de uma outra Galáxia.

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