Pelo menos duas pessoas procuram a Prefeitura toda semana para disputar uma vaga de camelô na Praça Dom Pedro ou 9 de Julho, no Centro de Franca - únicos locais autorizados para trabalharem. Há fila de espera. Para todos os interessados conseguirem o espaço, os 120 vendedores que trabalham regularizados no mercado popular teriam de desistir do negócio e entregar seus pontos. O chefe do setor de Fiscalização, Ismael Xavier, estima que 120 pessoas estejam inscritas na Prefeitura à espera de um espaço. Alguns cadastros são de 2000.
Ismael Xavier disse que não serão abertas novas vagas por falta de espaço. As áreas só são liberadas em caso de desligamento de algum dos atuais vendedores. “A procura é constante. Mas se alguém faz o registro arquivamos porque não há previsão de ampliar o número de barracas.”
Os camelôs têm direito à estrutura da barraca, pertencente à Prefeitura, pagam taxa de R$ 690 por ano pelo uso do espaço público e renovação anual do alvará - cerca de R$ 6. “O interesse é grande porque as pessoas sabem que muitos comerciantes sobrevivem e criam suas famílias com esse comércio”, disse Ismael. Segundo ele, a maioria dos interessados tem entre 40 e 50 anos e querem ter uma barraca por não conseguirem recolocação no mercado de trabalho por causa da idade ou trabalharem de forma irregular como ambulantes. Têm prioridade os pedidos mais antigos registrados pelo município ou os inscritos que atuam como ambulantes. Antes da aprovação, a Prefeitura realiza uma avaliação socieconômica para saber a real necessidade da pessoa em trabalhar no mercado popular. Ismael Xavier acredita que em 2011 houve liberação para apenas dois comerciantes após desistência de outros.
Na próxima semana, no dia 18 de janeiro, completará dois anos que Regina Célia Santos Rosa, 41, conseguiu uma barraca na Praça do Itaú. A comerciante esperou 15 anos até conseguir a vaga. “Todos os anos renovava minha inscrição na Prefeitura e ia lá direto para saber se tinha conseguido. O Centro é o chama (sic) dos clientes e sempre quis estar aqui. Mesmo com tanto tempo de espera não perdi as esperanças nunca.”
Regina tinha uma “mini-loja ambulante”. Sem condições de arcar com o aluguel de um local, usava duas mesas de bar para expor artesanatos (caixas de madeira) na porta de outras lojas ou de imóveis desocupados.
Em 2010 ela conquistou um espaço ao lado de mais de 80 camelôs na Praça do Itaú. Vendeu artesanato no começo, depois enxovais e agora decidiu comprar brinquedos em São Paulo para revender e está satisfeita com o lucro. “Aqui o custo é mais barato. Trabalho muito, tomo chuva e não é fácil, mas rende, a clientela é boa e paga à vista. Não teria condições de manter uma loja no Centro. Meu marido é doente e é da barraquinha que tiro o sustento da minha família.” Regina paga até faculdade para a filha. Júlia, de 21 anos, cursa pedagogia. “É um orgulho para mim.”
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