Transitar pela Estrada do Nego Elói, na zona rural de Franca, tornou-se uma aventura nesta época de chuvas. Em alguns trechos da serra, a pista de terra, que foi revitalizada no fim do ano passado, está escorregadia e exige bastante atenção do motorista. Mas o que mais preocupa os moradores da região que transitam pelo local diariamente é o risco de desmoronamentos. Numa das primeiras curvas, um barranco de quase 30 metros de altura não resistiu e veio abaixo, invadindo parte da pista.
Considerada uma das mais movimentadas da cidade, a estrada começa no quilômetro 15 da rodovia João Traficante e segue à esquerda até a divisa com as cidades mineiras de Claraval e Ibiraci. A reportagem do Comércio esteve no local na tarde de ontem e conversou com alguns sitiantes. É unânime que as condições de tráfego da Nego Elói melhoraram após a revitalização, mas eles acreditam que muito ainda pode ser feito para garantir mais segurança.
“Essa terra vermelha, meio saibro, que colocaram na pista está virando barro com a chuva e fica escorregadia. Além disso, há muitos anos não havia desmoronamentos”, disse um agricultor que preferiu não se identificar. Ele reclama que as curvas continuam perigosas. “Fomos um pouco prejudicados. Arregaçaram o sítio, comeram pasto (para alargar a pista) e não tiraram as curvas da serra, que ficou do mesmo jeito. Por enquanto a chuva está mansa, mas na hora que chover pesado, será que a estrada vai aguentar?”, questiona.
O lavrador Ronaldo Alves Taveira concorda que a pista está mais escorregadia. “Tem que tocar (a moto) devagar, no máximo até 40 km/h”, disse ele, revelando que tem medo de ser atingido por um desmoronamento.
Para o fazendeiro e estudante de medicina veterinária, Luciano Carlos Raminelli, a obra na Nego Elói melhorou as condições de tráfego, principalmente até o Rio Canoas, mas disse que nos primeiros quilômetros da serra os barrancos estão “cedendo com mais facilidade”. “Moro aqui há uns 10 anos e depois da revitalização está desmoronando muito mais. Estou com medo e na volta já não vou passar por aqui.”
Segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), nos primeiros 12 dias do ano, já choveu em Franca mais que a metade da média histórica do mês de janeiro.
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