Viaduto, Câmara e cidadania


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O prefeito de Franca começou 2012 com o pé direito. Logo na primeira semana do ano conseguiu reverter o jogo e ver seu principal projeto aprovado pelo Legislativo municipal. Depois de duas tentativas frustradas, finalmente a cidade terá seu primeiro viaduto, algo desejado por boa parte da população.

Em função das mudanças impostas pela Justiça, a proposta precisava de apenas oito votos para ser aprovada, diferentemente das tentativas anteriores, quando ainda havia a exigência de quórum qualificado de dois terços para que qualquer projeto de lei fosse aprovado pela Câmara.

Em função disso, esperava-se a aprovação do projeto, mas talvez não se esperasse o dilatado placar com o qual ela se deu. Apesar do clima quente que antecedeu a votação do projeto, dos 12 votos realizados, 11 foram a favor e apenas um foi contra. Uma goleada, poderia se dizer, o que ratificou não apenas a virada do prefeito, mas também a de alguns vereadores.

Como eles mudaram seu voto em um curto espaço de tempo, tiveram que se explicar. E a explicação que se ouviu era aquela que também já se esperava, ou seja, que agora havia o estudo de impacto e que o Executivo havia feito outras mudanças que se faziam necessárias no projeto.

Pode até ser, mas da forma belicosa como a Câmara e o prefeito terminaram 2011, bem como todo o histórico do Legislativo durante o ano que findou, fica a impressão de que o problema não era bem o viaduto, em si mesmo, mas sim as rusgas que permeiam a política local.

Fica também a impressão de que mais uma vez o clamor popular foi fundamental para essa mudança de voto e opinião, mais do que qualquer estudo ou alteração feita no projeto. Da mesma forma como ocorreu no ano passado, quando parte da população encheu o plenário e forçou a Câmara a voltar atrás em algumas votações que já pareciam ‘favas contadas’, parece que nossos parlamentares sentiram novamente a pressão.

De qualquer forma, é importante ressaltar que esse caso do viaduto talvez marque o início de um período mais positivo para a cidade, desde que todos os envolvidos reflitam sobre o que aconteceu.

O prefeito precisa repensar sua atuação junto a Câmara Municipal. Da mesma forma, precisa melhorar o processo de comunicação de seu governo com o Legislativo, extremamente truncado nesses últimos anos.

Por seu lado, nossos vereadores precisam compreender que a despeito dos interesses e das ideologias, o que precisa ser considerado nos projetos analisados pelo Legislativo é o interesse da população e não os individuais ou partidários.

E a população, mais uma vez, deve perceber a importância da participação política do cidadão nas decisões que impactam a cidade e seu cotidiano.

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