Um telefonema na manhã de segunda-feira ainda atormenta a mente de José (nome fictício), filho mais velho do taxista Manoel Filipe de Paiva, de 68 anos, acusado pela neta de sua mulher, uma menina de 12 anos, de abuso sexual. Foi nesta ligação pouco depois das 9 horas que ele descobriu que seu pai estava preso. Ontem, José defendeu Manoel e disse que as acusações não passam de uma armação para prejudicar seu pai.
José é natural de São Bernardo do Campo, cidade próxima à capital, e se mudou com a mulher e seus dois filhos (uma menina de 18 anos e um rapaz de 17) para Franca há um ano e sete meses. “Vim a pedido do meu pai. A gente sempre se deu muito bem e ele achava que o interior é melhor para criar os meninos.”
Manoel foi quem arranjou emprego para José como taxista no mesmo ponto onde trabalhava. A relação dos dois, segundo o filho, sempre foi muito próxima. “Além de pai e filho, a gente era amigo. Ele era meu parceiro, daqueles que eu podia contar tudo o que acontecia comigo. Eu confiava muito nele.”
José ficou sabendo do que aconteceu com o pai porque estranhou o atraso de Manoel para chegar ao trabalho. “Ele sempre vinha às 6h45. Eram 9 horas e nada. Então liguei na casa dele e a mulher dele me disse que meu pai estava preso desde a madrugada. Eu entreguei o celular para um amigo que estava ao meu lado. Sentei em um banquinho, fiquei mudo e chorei. Foi só o que consegui fazer.”
Manoel é acusado pela neta de sua mulher de abuso sexual. Segundo a menina de 12 anos, há dois anos, o taxista viria atacando-a sempre que os dois ficavam sozinhos. “Ele beija os meus seios, coloca os dedos em minha vagina, faz sexo oral em mim”, disse a garota. No último domingo, para denunciar o caso à polícia, orientada pela mãe, a menina gravou vídeos que, segundo a polícia, mostram cenas que aparentemente são de atos libidinosos entre ela e o taxista, que foi preso em flagrante e está na penitenciária de Serra Azul.
Desde a prisão, José ainda não conseguiu falar com o pai. “Me disseram que ele está incomunicável e que só poderei ter contato com ele daqui a 20 ou 30 dias.”
Ele não acredita na denúncia feita pela menor. “Pela índole, pelo que conheço do meu pai, ele jamais faria isso. Jamais vi meu pai mexer com mulher nenhuma. Meu pai é um homem respeitador, educado.”
Sobre as gravações feitas pela menina que mostrariam o rosto de Manoel, José disse se tratar de uma armação. “Meu pai sempre ajudou a família dela financeiramente, mas agora no final do ano, ele estava apertado e avisou que ia parar. Elas ficaram chateadas. Depois ele resolveu tirar a menina da escola particular. Então, elas ficaram revoltadas. Eu acho que foi tudo armado.”
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