O Parque da Canastra poderá sofrer algumas modificações em 2012. Tramita no Congresso Nacional um projeto que poderá destinar parte de suas terras atuais para as atividades agropecuárias, produção de queijo da canastra (que hoje em dia já é feita, mas a ideia é oficializar) e exploração de diamantes.
Obviamente, a proposta já está gerando polêmicas. De um lado, pessoas preocupadas com o prejuízo ambiental, caso essas atividades se desenvolvam de forma excessiva, alcancem as nascentes dos rios e comecem a atrair pessoas em excesso. Uma das futuras áreas de exploração, por exemplo, fica próxima à nascente do Claro, um complexo de cachoeiras de grande valor ecológico para a região. De outro, moradores interessados em retomar ou legalizar suas atividades e pessoas interessadas em impulsionar o desenvolvimento econômico da região.
Como razão dá-se a quem tem, segundo um antigo samba do carioca Ismael Silva, é possível considerar argumentos válidos dos dois lados, a despeito dos aproveitadores que sempre surgem nesses momentos, aqueles que buscam defender apenas seus interesses privados em detrimento do bem-estar público.
Ao mesmo tempo em que é preciso impulsionar a economia da região, melhorando a qualidade de vida de seus moradores, é preciso também intensificar os cuidados com o patrimônio ambiental da região, também ele uma importante ferramenta para o desenvolvimento econômico regional.
O problema, mais uma vez, parece se concentrar nas indefinições ou na inação do governo. Criado em 1972, em pleno regime militar, o Parque deveria ocupar uma área de 200 mil hectares. O projeto, no entanto, não deve ter merecido muitos estudos das autoridades e dos técnicos da época. Tanto é que o mesmo governo que reservou essa área acabou autorizando a permanência de agricultores em áreas que tinham potencial agrícola, o que, na prática, restringiu o Parque a apenas 71 mil hectares.
Mas como o governo, por meio de suas várias instâncias, dificilmente se entende, em 2002 os órgãos ambientais decidiram que o decreto de 1972 ainda estava valendo e que nenhuma atividade produtiva poderia ser desenvolvida nesse perímetro.
O resultado de todo esse imbróglio foi a indefinição e certa estagnação econômica. Os municípios, bem como as cerca de 300 famílias que vivem dentro e no entorno desses 200 mil hectares não puderam investir em suas propriedades nem em suas atividades produtivas.
Por outro lado, o governo também não paga a desapropriação das terras destinadas ao Parque, o que emperra mais ainda o processo.
Dentro desse contexto, talvez essa lei venha a consertar esses vários erros, promovendo o desenvolvimento da região e, ao mesmo tempo, preservando o meio ambiente e todo o seu potencial ecológico e turístico.
Não adianta tapar o sol com a peneira. Se é preciso cuidar desse enorme patrimônio ambiental brasileiro, é preciso também respeitar os direitos de quem ali vive.
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