Protecionismo


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Protecionismo é uma atitude antiga. Muito utilizada na Europa durante a fase do mercantilismo, foi uma excelente arma dos reis absolutistas para defender suas economias. Com o passar dos séculos, foi se transformando, mas nunca desapareceu completamente. Os governos que se sucederam, a despeito de sua forma de organização, sempre o utilizaram, explicitando-o ou disfarçando-o das mais diversas maneiras. Para isso, sempre se valeram de algumas estratégias básicas, que atravessaram os tempos de forma quase intocada. Entre elas, a principal sempre foi aumentar os impostos de importação, encarecendo os produtos estrangeiros e tornando os nacionais mais baratos, a despeito de sua qualidade.

O Brasil experimentou essa prática. Nossa indústria de informática foi bastante favorecida pelas políticas governamentais nos anos 1980. No entanto, como se pode verificar atualmente, de nada adiantou essa defesa. Talvez tenha engordado alguns bolsos, mas não fez do Brasil uma potência na indústria de hardware, que dirá na de software.

De qualquer forma, a partir da década de 1970, o protecionismo começou a perder força. O desenvolvimento tecnológico diluiu as fronteiras e o processo de globalização intensificou-se. Muitas barreiras alfandegárias caíram e o comércio internacional passou a ser estimulado.

Para consolidar essa situação, em 1995 criou-se a OMC (Organização Mundial do Comércio), o que forçou todos os países à sentarem-se à mesa. Ao final de quase 7 anos de difíceis negociações, em 2001, na famosa Rodada de Doha, no Qatar, passos importantes foram dados em direção a um comércio mais livre dos protecionismos nacionais, o que levou muitos analistas a acreditaram em uma grande mudança nas relações comerciais multilaterais.

Porém, a crise internacional de 2008 mudou todo o cenário. Infelizmente, os protecionismos voltaram a ‘pipocar’ de todos os lados. Depois de mais de quatro décadas de crescimento escorado principalmente no livre comércio, parece que estamos entrando em uma fase de retração.

Nessa última conferência da OMC, ocorrida em dezembro último, em Genebra, o clima era bem diferente daquele de 2001. O ‘salve-se quem puder’ pareceu superar todas as demais considerações. Europa e EUA, mais fragilizados pela continuidade da crise, parecem priorizar seus próprios quintais. Mas o Brasil e o Mercosul também começam a ‘mostrar seus dentes’.

Matéria publicada por este Comércio na quinta-feira, 22/12, mostra a tentativa de elevação de impostos para até 100 produtos de fora do bloco comercial.

Talvez isso seja muito natural, a despeito das conseqüências ruins que possa trazer para o mundo globalizado. Afinal, todos os países estão tentando defender seus interesses. De resto, mostram que a história segue em ciclos. Se não volta ao mesmo lugar, chega pelo menos bem próximo.

Há hoje em dia há muitos países bradando: ‘América para os americanos’. Fazem apenas algumas adaptações.

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