Mais econômicas do que as convencionais, as lâmpadas fluorescentes estão por toda parte. Se por um lado são uma medida de economia, por outro representam uma preocupação já que têm elementos nocivos ao meio ambiente. O que fazer quando elas queimam ou quebram? Para evitar que o produto acabe no lixo comum, a Prefeitura de Franca fez uma parceria com pontos comerciais da cidade para possibilitar uma destinação correta às lâmpadas.
No ano passado, cerca de cem mil unidades foram recolhidas e depositadas em um galpão na Secretaria de Serviços e Meio Ambiente. Até o fim deste mês, o produto deverá ser reciclado.
Estimativas do setor apontam que são consumidas em torno de 150 milhões de lâmpadas fluorescentes por ano no Brasil. Desse total, 94% são descartadas em aterros sanitários, colocando em risco o meio ambiente. Francisco Roberto Sett, gerente regional da Cetesb, disse que a prática é perigosa, pois as lâmpadas possuem produtos tóxicos que podem afetar o ser humano.
“A lâmpada tem um gás tóxico à base de mercúrio e de outros metais pesados, como chumbo e cádmio. Se for mal destinada, há um risco ambiental grande de contaminar as águas quando se romper. Em pequena escala, o gás não vai causar problema ao ser humano, mas o contato frequente é perigoso. O mercúrio é um metal cancerígeno.”
Há dois anos, a Prefeitura começou um trabalho para tentar reduzir o número de lâmpadas jogadas no lixo comum ou em terrenos baldios. Parcerias foram feitas com lojas do ramo para permitir a destinação correta. Grandes empresas do setor, como Hidromar e Eletro Pires, possuem postos de recebimento. A equipe da coleta seletiva também ajuda a recolher o material. Todos os meses, caminhões de lâmpadas são enchidos. O resultado do mutirão é a superlotação do galpão do município escolhido para armazenar os materiais.
“As lâmpadas chegam de diversos locais. Recebemos produtos das lojas, de escolas, hospitais, de outras instituições e de particulares que sabem que fazemos esta coleta. Antes, os materiais eram descartados aleatoriamente por toda a cidade. Com o trabalho de conscientização, estamos conseguindo dar um destino ecologicamente correto”, disse o secretário municipal de Serviços e Meio Ambiente, Ismar Tavares.
As lâmpadas recolhidas ao longo do ano são guardadas sob responsabilidade da secretaria. Nos meses de janeiro e fevereiro, um empresa especializada é contratada para fazer a reciclagem. O primeiro processamento foi feito em 2011. Neste ano, a Prefeitura estima que perto de 100 mil lâmpadas vão ser recicladas. O processo consiste em transformar a lâmpada fluorescente contendo mercúrio em resíduo não perigoso.
PAPA-LÂMPADA
O processo de descontaminação é feito dentro de um tambor metálico de 200 litros. Por meio de uma máquina chamada “Papa-Lâmpada”, o mercúrio é separado e os componentes usados na fabricação são recuperados para serem reaproveitados pela indústria. A lâmpada é introduzida por um tubo e triturada. O pó de fósforo e o vapor de mercúrio são sugados por filtros e separados. O vidro e o alumínio também ficam separados após serem triturados. “Todos os componentes podem ser reaproveitados. O pó de fósforo é usado na indústria de tintas, o mercúrio, na farmacêutica, o vidro, na de cerâmica e construção civil e o alumínio, nas indústrias do setor”, disse Karina Bernardes, representante da Residual, empresa que realiza a reciclagem dos materiais. A Prefeitura não tem retorno financeiro, mas a cidade ganha um meio ambiente melhor.
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