A estrela que nos guia


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Hoje celebra-se a Epifania do Senhor, a Festa dos Magos. “Epifania” quer dizer ‘revelação’, ‘manifestação’.

Teve origem no Egito. Era uma festa pagã na qual se celebrava a vitória da luz sobre as trevas. A liturgia cristã, neste tempo do Natal, retoma o tema e o propõe para nossa meditação. Na liturgia de hoje, Jesus é apresentado como a luz que atrai para si todos os povos.

A história dessa festa é a seguinte: os Magos eram três, procedentes, um da África, um da Ásia e um da Europa, um branco, um amarelo e um negro. Guiados pela estrela, encontraram-se no mesmo ponto e depois percorreram juntos o último trecho do caminho, até Belém. Chamavam-se Gaspar, Melquior e Baltazar; viajaram no lombo de camelos e dromedários. Após Belém, regressando cada um para sua terra, tendo atingido a respeitável idade de 120 anos, viram, novamente, a estrela. Partiram, se encontraram numa cidade de Anatólia para celebrar a missa de Natal. No mesmo dia, repletos de alegria, morreram. Suas relíquias deram a volta ao mundo e hoje se encontram na catedral de Colônia, na Alemanha.

Evidentemente, trata-se de história. Antes de tudo, os magos não eram reis. Com certeza pertenciam a um grupo de pessoas que interpretavam sonhos, previam o futuro observando o curso dos astros e estudando o vôo dos pássaros. Sabiam ler a vontade de Deus através dos acontecimentos normais ou extraordinários da vida.

Não nos deve causar espanto, portanto, quando se afirma que os magos conseguiram perceber, com o aparecimento da estrela, uma mensagem do céu.

LEITURAS
Na solenidade que estamos celebrando hoje, qual a mensagem que a Palavra de Deus nos oferece? Jerusalém está construída numa montanha, de cujas encostas se formam dois vales, citados diversas vezes também nos evangelhos: Geena e Cedron.

De manhã, quando desponta o sol, a cidade logo fica envolvida por uma maravilhosa luminosidade, ao passo que os vales ao redor continuam envoltos nas trevas da noite. Nesse contexto histórico e geográfico, eis a visão do profeta: está despontando a aurora e os primeiros raios do sol iluminam a cidade. Talvez esteja sonhando, mas de repente, Jerusalém, a viúva infeliz, se torna esplendorosa, reluzente.

Volta a ser a moça jovem e maravilhosa de antes, um manto de luz a envolve, como uma veste de mil cores. O profeta se aproxima, convida-a a despojar-se dos sinais de luto a levantar-se, a enxugar as lágrimas, porque o seu esposo, Javé, que a tinha abandonado por causa das suas infidelidades, agora a quer tomar de volta. O sonho do profeta se realizou quando sobre essa cidade começou brilhar a luz de Cristo. A partir daquele dia ela se tornou uma jovem esposa para a qual se voltam todos os povos.

A quem representa essa cidade? A Igreja. É nela que brilha luz do Messias.

Alguém pode pensar que seguir a Cristo signifique renunciar a tudo aquilo que dá alegria e prazer. É verdade, sim, que é preciso abandonar aquilo que conduz ao fracasso, à ruína, à destruição de si mesmo e dos outros, mas nada do que é bonito, bom, elevado deve ser perdido: tudo deve ser valorizado.

A libertação acontece quando termina a separação entre os homens e Deus e quando entre os homens desaparecem a inveja, as discórdias, a guerra. Surge desse modo uma nova realidade: os homens começam a viver como irmãos, sem suspeitas, sem inveja, sem ódios, sem homicídios. Vivem desse modo porque Cristo lhes ensinou que são filhos de um único Pai.

Assim também as nações, que parecem tão distantes, pela língua, pela mentalidade, pela cultura, pelos costumes, se deixarem atrair pela luz que é Cristo, acabam se aproximando e se entendendo entre si. Os criadores de divisões, os construtores de barreiras que separaram, certamente se posicionam longe da lógica de Deus, porque ele quer a união.

EVANGELHO
O evangelho fala da visita que os Magos fizeram ao Menino Jesus. Mateus vê, no episódio dos magos, a realização da profecia que o profeta Isaías apresentou na primeira leitura: guiados pela luz do Messias, os povos pagãos (representados pelos Magos) se dirigem para Jerusalém, para levar seus dons: ouro, incenso e mirra.

Os magos representam os homens do mundo inteiro que se deixam guiar pela mensagem de paz e de amor de Cristo. São a figura da Igreja, formada por povos de todas as raças, tribos, línguas, nações. Fazer parte da Igreja não quer dizer renunciar à própria identidade, não quer dizer submeter-se a uma injusta e falsa uniformidade.

Todas as pessoas e todos os povos devem manter suas características culturais. Com elas, aliás, enriquecem a Igreja universal. Ninguém é tão rico a ponto de não precisar de nada e ninguém é tão pobre que não tenha alguma coisa para oferecer.

Em nossos dias, como no tempo de Jesus, diante da estrela, os homens tomam posições diferentes. Há os que, como os magos, se ajoelham, isto é, reconhecem nele a luz do mundo e a seguem: há outros que ficam indiferentes e por fim há outros que procuram apagar esta luz. Todos contemplaram a mesma realidade: um menino recém-nascido: as escolhas, porém, foram e continuam sendo diferentes. Quem está em condições de reconhecê-lo? Aqueles que se deixam iluminar pela Escritura que nos fala dele.

José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br

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