Com medo, francana vai retirar prótese de silicone dos seios


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SUSTO DE NATAL - Bruna Perente descobriu que sua prótese era da empresa francesa
SUSTO DE NATAL - Bruna Perente descobriu que sua prótese era da empresa francesa

“Como é possível deitar na cama pensando que tem uma bomba atômica dentro de você?” Com essa frase, a francana Bruna Aguida Perente, de 24 anos, resumiu seu sentimento sobre a prótese de silicone pertencente ao lote da marca francesa PIP (Poly Implant Prothèse), envolvida em fraudes, que ela implantou nos seios há quase três anos. Por isso, mesmo sem indicação de que sua prótese esteja com algum problema, ela vai se submeter a uma nova cirurgia para trocar o produto.

Bruna disse que sempre sonhou colocar silicone nos seios. Por um problema genético, suas mamas não se desenvolveram e se olhar no espelho e não ver o volume nos bustos era um pesadelo. Com aprovação da família, aos 21 anos, ela aproveitou suas economias com o salário de vendedora, fez acerto na loja onde trabalhava e com um complemento feito pelo pai conseguiu os R$ 6 mil para a desejada cirurgia. Adorou o resultado.

Os implantes foram colocados em agosto de 2009 pelo médico Frederico Alonso Sabino de Freitas, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, que atua na área em Franca há 17 anos. A substituição deveria ser feita somente dez ou quinze anos depois. Mas Bruna já agendou a nova cirurgia para a próxima sexta-feira, dia 13.

Assistindo ao noticiário na TV às vésperas do Natal, a jovem descobriu que suas próteses eram do lote da PIP. Em vez de rechear as próteses com silicone médico, a empresa da França usava um gel não autorizado para uso médico, uma espécie de silicone industrial, que possui impurezas que causam inflamação e infecção.

Como Bruna, pelo menos outras 23 mulheres em Franca receberam implantes das PIP. “Estava assistindo à tevê no dia 23 e vi a notícia dos problemas com o silicone, só que não tinha associado o nome (da marca em questão à sua prótese). Na segunda-feira, peguei a garantia que tinha em casa e vi que era da PIP. Fiquei nervosa, transtornada e chorei muito. A primeira pessoa para quem liguei foi meu pai”, disse.

Depois de discutir com o pai e também com o cirurgião plástico que a operou, Bruna decidiu substituir as próteses. Ela preferiu enfrentar outra cirurgia a conviver com o medo da prótese se romper e lhe causar complicações de saúde. “Se pode dar algum problema no futuro, por que não prevenir agora?

Testes laboratoriais ainda serão realizados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para avaliar o material utilizado na composição dos silicones. Na França, 20 mulheres com implantes da PIP apresentaram câncer de mama; no entanto, não há evidências que associem o diagnóstico à prótese.

No Brasil, a Anvisa recolheu dez mil próteses que estavam na empresa que importava e distribuía o material da PIP. Desde 2001, 24,5 mil próteses da fábrica francesa foram usadas em mulheres no País.

Sobre a retirada ou troca das próteses, a Anvisa e a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica recomendam que os pacientes procurem o médico antes de definir se farão a retirada.

Apesar dos inconvenientes, Bruna encontrou um ponto positivo. Ela pretende passar dos 285 ml adquiridos na primeira cirurgia para 340 ml. Para ela, um profissional confiável foi a chave para se manter tranquila. “As pessoas não devem se arriscar. O médico tem que ser de confiança porque, afinal de contas, se trata de uma cirurgia.”

Leia mais sobre prótese de silicone no Se Liga.

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