Conheça os bastidores de uma liquidação


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PAI-NOSSO - Funcionários da matriz do Magazine Luiza rezam 5 minutos antes da abertura
PAI-NOSSO - Funcionários da matriz do Magazine Luiza rezam 5 minutos antes da abertura

A maior liquidação do varejo brasileiro aconteceu na última sexta-feira nas 728 lojas do Magazine Luiza espalhadas por todo Brasil. Mais de 3 milhões de produtos foram vendidos em oito horas. A receita do sucesso: planejamento. O Comércio da Franca acompanhou os bastidores da Liquidação Fantástica na loja matriz do Magazine em Franca e pôde ver de perto os detalhes que fazem desta promoção a maior do Brasil.

João Bosco Cordeiro, diretor de compras da rede, disse que as negociações com os fornecedores para a liquidação começaram em setembro do ano passado. “Foi quando fechamos o contrato para a compra das 180 mil panelas de pressão que, neste ano, vendemos a R$ 7 e foram um dos primeiros produtos a acabar. Nem todos os produtos que são vendidos neste dia fazem parte do estoque do Natal. Tem mercadorias que negociamos exclusivamente para esta promoção”.

Uma vez acertadas as compras, a rede começa a segunda etapa: a de localizar nos estoques e centros de distribuição os produtos disponíveis que podem ser colocados em liquidação e, em seguida, executar o levantamento de quantas unidades existem de cada mercadoria. “É um trabalho que envolve muitos setores e muitos profissionais.”

Com esta listagem em mãos, já no início de dezembro começam os estudos para estipular os descontos que serão dados em cada produto para que a liquidação seja atrativa para o consumidor, mas não dê prejuízo. “Esse é um período de estudos. Fazemos cálculos, recálculos. Temos muito trabalho porque nossa liquidação é verdadeira. Todos os produtos que colocamos dentro das lojas no dia da Liquidação Fantástica estão com desconto. Todos. Seja um desconto grande, de 70%, ou pequeno, de 20%. Esse é o nosso diferencial”, disse Cordeiro.

Na semana da liquidação, as lojas são abastecidas com os produtos em promoção. Um dia antes, fecham as portas para que seus mostruários possam ser arrumados e remarcados com os novos preços. Os funcionários recebem as últimas instruções e conferem os detalhes.

Na sexta-feira, às 4h40, o gerente Aluisio Ferreira Gomes já estava na loja. Ele mal conseguira dormir. “Estou ansioso e preocupado. Mas sei que vai dar tudo certo.” Ele andou por toda a loja, conferiu cada detalhe, pediu para que consertassem um cartaz que estava caindo, deu instruções para os seguranças e, finalmente, às 5h55, convocou todos para uma oração.

De mãos dadas, os 120 funcionários da loja matriz rezaram um Pai-Nosso e uma Ave-Maria, pediram força e garra a Deus e deram seu grito de guerra: “Eu tudo posso naquele que me fortalece”. Depois, enfileirados, deram as boas-vindas aos primeiros dez clientes que esperavam na fila.

Muito corre-corre, muita disputa por produtos, especialmente pelas panelas de pressão de R$ 7. Mas, apesar de todo o planejamento do Magazine, o consumidor que enfrentou horas de fila do lado de fora da loja ainda teve mais dois problemas a enfrentar dentro da loja: calor e fila no caixa. Na loja matriz, muitas pessoas idosas chegam a passar mal - foram prontamente atendidas pelos vendedores. Além da enorme paciência para enfrentar as filas na hora de tirar o pedido com o vendedor, o consumidor ainda precisou de uma dose extra na hora de pagar as compras.

O diretor de compras, João Bosco, reconhece que os problemas existem e disse que soluções estão sendo estudadas. “Estamos testando dois sistemas de operação de caixa novos para ver se conseguimos mais agilidade. Pedimos desculpas e prometemos que o ano que vem esse problema estará resolvido.”

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