Sócrates, famoso filósofo ateniense, afirmava que ‘todo conhecimento só é útil se nos torna melhores’, o que equivale a dizer que conhecer por conhecer não nos leva a parte alguma. A asserção socrática se mostra em perfeita consonância com o que nos viria ensinar Jesus, do qual foi enviado e precursor, segundo nos informa Emmanuel, o principal mentor espiritual de Chico Xavier.
Com o Divino Mestre, soubemos, mais tarde, que ‘a cada um segundo as suas obras’ e não ‘a cada um segundo o seu saber’. Portanto, o conhecimento humano há de ser ferramenta para mudança de atitudes, sobretudo em relação ao desenvolvimento do sentimento de amor, que nos deve presidir o relacionamento com os nossos semelhantes.
É na convivência que demonstramos o teor das nossas convicções. De nada adianta exaltarmos as nossas crenças se elas não nos fazem melhores, se não nos enobrecem as atitudes. Longe, contudo, de pretendermos santificação precoce. Angelizarmo-nos demandará incontáveis idas e vindas de ambos os planos dimensionais, até que consigamos substituir os valores equivocados. Urge que vivenciemos o que pregamos. Que a nossa conduta nos traduza o conteúdo da consciência transformada.
Para a inserção da Lei de Sociedade no capítulo VII, 3ª parte de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec obteve dos Espíritos Superiores a certeza de que na convivência diária é que se aplicam os ensinamentos do Evangelho. Além da inocuidade do nosso isolamento, ainda que em nome da fé, estaríamos fazendo mal, posto que a inação no bem é prática maldosa.
Ensinou-nos Jesus que os sentimentos hão de enobrecer-se para ter como objeto o nosso próximo. O isolamento nos afasta do meio no qual fomos inseridos justamente para a participação no progresso social. Como Deus nos julga pelo móvel das nossas ações, precisamos estar atentos para não recrudescermos o sentimento de egoísmo e de orgulho. Demais, a célula mater da sociedade é a família, cadinho purificador, no dizer de Emmanuel, porquanto base de lançamento das realizações sublimes do espírito. Na família consanguínea é que aprendemos melhor a praticar os ensinamentos evangélicos. É ali, no atrito diário das individualidades, que exercitamos a tolerância, o perdão, a indulgência, a caridade. É ali que as virtudes movem-se, decididas, da teoria para a prática.
O espírito Irmão X (Humberto Campos), no seu livro Boa Nova, conta-nos um caso ilustrativo de como devemos servir a Jesus, no mundo. Diz aquele autor espiritual que Joana, esposa do prefeito de Cafarnaum, então Cuza, tornara-se cristã ao ouvir as pregações do Mestre. Certa noite, foi procurá-Lo pedindo orientação para convencer seu povo das verdades do Evangelho. Jesus, então, lhe disse: ‘Seja cristã no recesso da família. Mostre a Cuza o quanto o Evangelho a modificou.’
Recomendou-lhe, então, a vivência dos ensinamentos na interioridade do lar. Não disse que devesse ela isolar-se, mas, que evangelizasse a partir da célula familiar.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciência Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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