A proximidade do final de ano traz à maioria das pessoas uma sensação de ‘fim de feira’. Para alguns é um momento de festa e confraternização, época de extravasar as angústias vivenciadas no ano que se finda e de renovar as esperanças em relação aquele que se aproxima.
Para muita gente, o final de ano configura-se como uma época de descontração, alimentada inclusive pelas férias escolares. Mais tranqüilas, as pessoas preparam suas viagens e aproveitam para colocar a vida, agenda e os compromissos em dia.
Alguns profissionais, no entanto, acabam conservando-se bastante atentos. É o caso dos deputados federais. Em sentido contrário ao da maioria da população, eles não relaxam. Ficam firmes até o último minuto de dezembro, um pouco antes de entrarem em recesso, quando aproveitam essa euforia e descontração de final de ano para fazer passar algum projeto que os deixará eufóricos e descontraídos posteriormente, geralmente no sentido também oposto ao de nossa raiva e indignação.
E nesse ano não foi diferente. Matéria publicada por este Comércio na quarta-feira, 21/12, mostra que nossos parlamentares estão tentando obter um aumento de 30% em sua verba de gabinete, um montante que é utilizado para pagar os salários dos funcionários que trabalham na Câmara e em seus respectivos estados.
Em si mesmo, o pedido de aumento de R$ 60 para R$ 80 mil não tem nada de indecoroso. Mesmo que consideremos os baixos salários de boa parte da população brasileira e os aumentos insuficientes percebidos por importantes classes de profissionais nos últimos anos, é legítimo que os deputados queiram aumentar o salário de seus funcionários. Mesmo que não agrade a todos, faz parte do jogo democrático.
O que mais incomoda, no entanto, é a forma como fazem isso. Como temem mais uma reação negativa da opinião pública, preferem trabalhar ‘por baixo dos panos’, ou ‘no apagar das luzes’, como se costuma dizer na gíria. Aproveitam a descontração das festas de final de ano e os últimos momentos de funcionamento do Congresso para tentar aprovar essas questões o mais rápido possível, evitando discussões.
Acreditam que quando tudo voltar ao normal, o grosso da população já terá esquecido as poucas matérias que teriam repercutido o pedido de aumento na mídia. E o ano seguiria tranqüilo, com mais R$ 20 mil para gastarem à vontade.
Mas isso é bastante triste. Além de ser uma atitude incompatível com a envergadura da função, acaba afetando também a credibilidade da República e de suas instituições, porque reforça práticas antigas de nossa política, percebidas como malandragem por nossa população, algo que já deveria estar há muito tempo enterrado na lata de lixo de nossa história.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.