As duas Coreias


| Tempo de leitura: 2 min

Ao final da Segunda Guerra Mundial, já era possível perceber a consolidação das duas forças político-econômicas que dominariam o mundo durante a segunda metade do século XX, o comunismo soviético e o liberalismo norte-americano.

Como um rolo compressor, elas passaram por cima de todas as resistências e dividiram o mundo em duas zonas de influência. Simbolicamente, dividiram uma cidade e uma península. O ônus da primeira coube aos alemães, com a construção do muro de Berlim, o muro da vergonha, da tristeza e do sofrimento de quem se viu repentinamente separado de seus entes queridos por uma ideologia que talvez nem comungasse.

O ônus da segunda coube aos coreanos. Em 1945, os governos de Moscou e Washington concordaram em dividir o país. O paralelo 38 foi a linha demarcatória escolhida. Obviamente, não perguntaram a opinião dos coreanos. Como os alemães, muitos deles viram-se repentinamente separados de amigos e familiares. Mas o pior ainda estaria por vir. Se na Alemanha a violência limitou-se ao muro e a algumas tentativas de fuga, a Coreia experimentou uma sangrenta guerra entre 1950 e 1953.

Foram milhões de mortos, somando-se os dois lados. Mas se os protagonistas eram os norte-americanos e soviéticos, a ‘bucha de canhão’ obviamente foram os coreanos. Estima-se que cerca de 3 milhões de civis norte-coreanos e 500 mil sul-coreanos tenham perdido a vida.

Depois de assinado o armistício, o que sobrou foi um país arrasado e dividido. A Coreia do Sul, porém, aos poucos foi se recuperando, sempre com a ajuda dos EUA. A Coreia do Norte, ao contrário, foi se complicando cada vez mais, sobretudo depois da derrocada do mundo comunista.

A primeira transformou-se em uma potência econômica mundial, o que trouxe uma excelente qualidade de vida para sua população. A segunda amesquinhou-se em um dos mais sombrios e obscuros países do mundo. Por meio de uma ditadura personalista, priorizou sempre as armas, em detrimento de sua população, o que trouxe a esse lado da península muita miséria e opressão.

Agora, porém, passados mais de 60 anos, uma nova oportunidade de reunificar as duas Coreias parece nascer com a morte do ditador Kim Jong-Il. Talvez seja muito otimismo pensar dessa forma, pois nenhum analista político internacional arriscaria dizer o que acontecerá com a Coreia do Norte em um futuro próximo. Seu filho e sucessor, Kim Jong-Un é praticamente desconhecido do ocidente, além de jovem e inexperiente.

De imediato, espera-se que o país mantenha o discurso belicoso de sempre. De qualquer forma, é preciso que as grandes potências trabalhem para derrubar esse último símbolo da Guerra Fria e livrar os norte-coreanos dessa anacrônica tirania. O mundo deve isso a eles, principalmente os EUA e a atual Rússia.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários