Agentes da Fundação Casa são ameaçados por internos


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BOMBA RELÓGIO - Denúncias de funcionários chegaram ao sindicato da categoria em Ribeirão
BOMBA RELÓGIO - Denúncias de funcionários chegaram ao sindicato da categoria em Ribeirão

Funcionários da Fundação Casa de Franca procuraram o Sitraemfa (Sindicato dos Trabalhadores em Entidades de Assistência e Educação à Criança, ao Adolescente e à Família do Estado de São Paulo) com medo de ameaças feitas por internos da unidade. Segundo o sindicato, os trabalhadores têm sido coagidos pelos adolescentes e sofrem com as desobediências. Representantes da entidade devem visitar a Fundação hoje para apurar quais seriam os tipos de ameaças e o grau de tensão existente no local. O mesmo tipo de denúncia chegou à redação do Comércio através de três ligações entre terça e quarta-feira. “Eles têm tido muitas dificuldades no trabalho. Têm sido ameaçados, sim. Tem sido constante. Nós estamos aqui na subsede de Ribeirão Preto e iremos para lá para conversar com os funcionários”, disse a diretora estadual do Sitraemfa, Aline Salvador.

O clima de apreensão é tão intenso que os trabalhadores procurados pela reportagem se recusaram a falar sobre o assunto. Quem já trabalhou no local, no entanto, confirma o ambiente tenso. Uma ex-funcionária que esteve de serviço na Fundação até setembro de 2011 afirma que é comum a presença do “choque” (equipe de funcionários da própria entidade capacitados para reprimir rebeliões e motins) na unidade. “Isso é normal, é rotina. Sempre que dá problema eles entram lá e descem o ‘cacete’ nos meninos”, disse a mulher.

A tensão atingiu seu ápice no mês passado quando foram registradas uma rebelião no dia 15 e, em seguida, a fuga de quatro adolescentes no dia 19.

O padre Ovídio de Andrade, presidente da Pastoral do Menor em Franca - que cuida do setor pedagógico da instituição -, contou que o problema teria sido originado por um pequeno grupo de adolescentes recém-chegado à Fundação. Eles teriam reclamado do lanche servido à noite. “Eles não queriam mais comer bolacha de maizena com leite antes de dormir. Faz parte do cardápio que a Fundação define. Mas, na verdade, eles queriam impor regras para os outros. São meninos que acabaram de ser apreendidos e que quiseram dominar, se impor.”

A assessoria de imprensa da Fundação Casa disse através de nota que “não houve mais tumultos depois do episódio de dezembro. O que por vezes acontece são pequenos atos pontuais de indisciplina, que são típicos de adolescentes internados. Nestes casos, procura-se fazer uma atuação pedagógica e multidisciplinar e sana-se o problema.”

Procurada pela reportagem, a diretora da unidade, Rosân-gela de Oliveira Caetano, não quis falar sobre o assunto.

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