Caça aos médicos


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Como já dissemos nesse espaço, médico é uma profissão diferenciada, mesmo que não o seja de forma clara e assumida. Essa diferenciação já começa na faculdade. Alunos de medicina se diferenciam no campus, seja pelo branco de suas vestes ou pelo orgulho ostentado em seus sorrisos. Também os vestibulares para medicina se diferenciam em relação aos que selecionam para outras profissões.

Os médicos possuem um status diferenciado em nossa sociedade. Sua remuneração, de forma geral, é uma das melhores entre as várias profissões que conformam o tecido social. Talvez por lidar com a vida humana, sempre nos limites entre a cura, a vida e a morte.

Nesse sentido, é uma profissão bastante procurada. A despeito de sua formação ser onerosa, todos os cursos estão repletos de alunos, mesmo os privados, cujas mensalidades chegam a 6 mil reais por mês.

O que acontece então com a cidade de Franca? Por que não conseguimos atrair médicos para nossa rede pública? Por que a Prefeitura, e também as da região, estão sempre abrindo concursos sem conseguir preencher as vagas oferecidas? Será que o Cremesp está errado em sua avaliação e está faltando cursos de medicina no Brasil, mais especificamente, no Estado de São Paulo? Ou será que os médicos não se interessam mais pela rede pública, em função dos salários oferecidos?

De imediato, pode-se inferir que o principal problema encontra-se na questão salarial. Para um estudante que vai investir até R$ 6 mil por mês em um curso com duração de 6 anos, fora os gastos extras com livros e cursos rápidos, o salário atual oferecido pela cidade de Franca, a maior da região, não é nada atraente. Ao contrário, os cerca de R$ 3 mil oferecidos estão bem aquém do que sonha um estudante de medicina ou espera um médico formado, sobretudo em uma sociedade que parece querer apressar cada vez mais nossas conquistas por meio da intensidade do consumo.

Se esse raciocínio estiver correto, resta ao poder público, em todos os seus níveis, estudar maneiras de atrair os profissionais - e talvez o caminho seja observar as exigências do mercado. Isso porque, por natureza, o sistema capitalista regula-se pela lei da oferta e da procura. Se há poucos médicos, então o salário na organização pública precisa ser mais interessante para atrai-los. Se não há como aumentar, em função das limitações orçamentárias, é preciso buscar outros caminhos que resolvam a situação. Tornar mais acessíveis os cursos de medicina para aumentar o número de médicos formados? Reduzir a carga horária? A resposta não é fácil, mas tem que ser encontrada. Do jeito que está é que não pode ficar.

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