Lições da vida


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Geralmente, quando aqui escrevo, procuro divulgar informações e direitos para a população, de modo claro e em uma linguagem acessível. Porém, hoje, fujo um pouco do tema para homenagear um dos maiores responsáveis para que isso fosse possível: meu pai.

Ele não era advogado ou jurista. Era comerciante bastante conhecido aqui em Franca. Seu nome era Faisal Bachur, mais conhecido por Nadim. Quando foi se aposentar, encontrou todos os tipos de dificuldades por parte do INSS. Em 1996, foi feito o seu pedido administrativo. Na época, eu ainda estava na faculdade. Tudo que podia acontecer para dar errado aconteceu no caso dele. Naquela época, a Previdência Social era mais morosa do que hoje. Infelizmente, nas faculdades de Direito a matéria previdenciária não costuma integrar a grade curricular. Isso me obrigou a estudar por conta própria para poder ajudá-lo.

Formei-me no final de 1998 e em 2000, comecei a trilhar o caminho da advocacia, no escritório de um amigo, o Dr. Ariovaldo. Meu pai ainda não havia se aposentado. Muitos especialistas em Previdência diziam que era quase impossível obter êxito na empreitada. Incentivado por esse amigo comecei a procurar soluções legais para meu pai se aposentar. Passei a ler livros, assistir palestras etc. A grande dificuldade enfrentada era a linguagem técnica. Termos como “salário de contribuição”, “renda mensal inicial”, entre outros, não faziam parte do meu vocabulário, ainda mais, recém formado.

Isso me obrigou a iniciar digitação, em meu computador, dos estudos que empreendia. Eu próprio procurava um “palavreado” mais compreensível. O tempo fez com que aqueles singelos estudos pudessem ensejar o benefício para meu pai.

Alguns anos depois, pelas “coincidências” da vida, esse estudo previdenciário transformou-se em um dos livros mais vendidos no país. Chama-se Teoria e Prática do Direito Previdenciário, hoje com sua atual edição esgotada. Publiquei depois outros livros, também com sucesso na mesma área do Direito. Na sequência, comecei a dar aulas e palestras de Direito Previdenciário por todo o país, ensinando outros advogados a lutarem pelo interesse social dos cidadãos, formando uma espécie de “corrente do bem”.

Levei comigo nessa luta o Dr. Fabrício Barcelos Vieira, ele que ainda hoje colabora, participando dos artigos semanais que publico neste Comércio. Recebo emails de todo o país, agradecendo as lições dos livros e as palestras, ferramentas que, para honra nossa, puderam ajudar a aposentar um número infindável de pessoas.

Sempre brinco que “nunca uma negativa de benefício ficou tão cara para o INSS.” É óbvio que se a aposentadoria de meu pai fosse facilmente concedida, não teria escolhido o Direito Previdenciário para atuar e talvez essas linhas jamais teriam sido escritas. Com certeza, muitos dos direitos previdenciários teriam sido deixados de lado por uma negativa injusta e arbitrária do INSS.

Deixo aqui registrado minhas homenagens a meu pai, que faleceu no último dia 30 de dezembro. Ele, ao lado de minha mãe Wilma, me ensinaram a aprender sempre e a não desistir nunca. Essa lição de vida, ou seja, de não desistir diante de um problema e aprender com ele, esconde a satisfação futura do dever cumprido e do bem que realizamos em prol do próximo.

Tiago Faggioni Bachur
Advogado e professor especialista em Direito Previdenciário

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