Um dia antes de encerrar o mandato como presidente da Câmara, Marco Antônio Garcia (PPS) assinou portaria anulando a demissão do diretor administrativo, Afonso Teodoro de Souza Filho. O servidor havia sido demitido pelo próprio presidente há 15 dias acusado de reter documentos e não fazer a avaliação do funcionário José Carlos Granzotti, o que teria impedido a promoção do mesmo. Marco justificou que, ao reavaliar o caso, constatou que Afonso não praticou o ato ilegal. Admitiu, ainda, que a pena imposta ao acusado foi desproporcional mesmo se ele fosse culpado. Na prática, o presidente se antecipa a uma medida que seria tomada na próxima semana pelo seu sucessor, Válter Gomes (PSB). É também uma tentativa de evitar eventual ação judicial por danos.
O processo de sindicância interna para apurar responsabilidades por parte de Afonso foi aberto em novembro e concluído na segunda semana de dezembro. O relatório da comissão opinou por punição. No dia 15, o presidente assinou portaria demitindo o servidor. “Como na ficha dele já havia outras advertências e até uma suspensão, decidi dar um basta e demiti-lo. Percebi que o Afonso não iria mudar”, justificou Marco, na oportunidade. Em março, o diretor havia sido suspenso por 60 dias durante apuração de processo que o investigou por desgastar publicamente a imagem da Câmara. O caso foi arquivado dias depois. Após a demissão, o advogado Antônio Thales Gouvêa Russo afirmou que a punição era exagerada e classificou o ato como um dos mais graves que ele pode mencionar na história da Câmara.
Marco Garcia também se convenceu de que a demissão foi uma medida desproporcional. Mesmo enfrentando resistência do departamento jurídico da Câmara e de parte dos servidores, ontem ele decidiu assinar portaria reintegrando o diretor ao cargo. A decisão assegura todos os direitos salariais integrais do servidor durante o período em que ele ficou afastado. “Ao reavaliar o processo, constatei que Afonso avaliou, sim, o funcionário Granzotti. Porém, o documento ficou com o ex-presidente Joaquim Pereira Ribeiro (PSB). Não acho demérito nenhum rever minha decisão. Como meu mandato termina neste dia 31, eu tinha que fazer justiça. Errar é humano e perdoar é divino. Se alguém tinha que ser punido, esse alguém era o doutor Joaquim”. Joaquim não foi encontrado na Câmara nem em casa para comentar as afirmações. No consultório, a secretária afirmou que ele está fora de Franca.
Afonso Teodoro poderá reassumir suas funções hoje.
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