Sapateiro faz adolescente refém e se mata com tiro


| Tempo de leitura: 2 min
PREVENÇÃO - Policiais militares fecharam a rua para impedir que curiosos atrapalhassem o trabalho de negociação
PREVENÇÃO - Policiais militares fecharam a rua para impedir que curiosos atrapalhassem o trabalho de negociação

Atualizada às 13h06

O sapateiro André José de Sousa, 29, fez uma adolescente de 17 anos refém e atirou na própria cabeça na noite de ontem, na Vila Santa Terezinha. A PM foi acionada para atender uma ocorrência de briga de casal na Rua Miragaia M.M.D.C. e encontrou o sapateiro armado com um revólver calibre 32. Junto com ele, estava a jovem com quem morava há um ano. Foram quase duas horas de negociações até que o sapateiro liberasse a mulher. Trinta minutos depois, Sousa deu um tiro na própria cabeça e foi socorrido ainda com vida para o CTI (Centro de Terapia Intensiva) da Santa Casa. Ele ficou internado em estado gravíssimo e morreu na madrugada desta quinta-feira.

Segundo a polícia, a ocorrência teve início por volta das 18h30. A PM foi chamada por vizinhos que escutaram a briga. André mora com a adolescente na casa dos fundos da residência de seus avós, que disseram não ter ouvido nada. Os policiais encontraram a porta fechada. O único contato visual com André era feito por uma janela. A adolescente estava em pé, no fundo do quarto. De acordo com major Alexandre Wellington, da PM, foi chamado reforço para que o quarteirão pudesse ser fechado e as pessoas da casa fossem retiradas. “Ele a estava mantendo como refém. Ele estava no cômodo, num quarto. E a equipe esteve lá dentro. Tentamos fazer com que ele saísse voluntariamente. A missão da polícia aqui é efetivamente negociar”, disse o major.

O tenente Marcel Pereira, que comandou as negociações com o sapateiro, afirmou que o atirador parecia irredutível. “Ele ficou o tempo todo com a arma engatilhada e apontada para a própria cabeça. Foi um longo período de negociação e em nenhum momento a gente percebeu uma melhora na situação dele. Familiares falaram que ele tem problemas psicológicos.”

Os vizinhos se assustaram com a movimentação. O pespontador Antônio Ismael, 41, chegou do trabalho com a mulher e encontrou a rua fechada. Ele é vizinho de André. “Cheguei aqui e estava tudo assim. É uma surpresa para mim porque nunca aconteceu isso aqui, nunca vi nada assim.”

Segundo tenente Marcel, o rapaz dizia ser perseguido. “Ele estava alegando perseguição, mas não dizia quem o perseguia. No trabalho, até na igreja.”

O argumento usado pelo policial para a libertação da mulher era de que ela precisava de cuidados. “Tentamos tocar nele o sentimento pela esposa, falando que ela poderia estar precisando de cuidados médicos, que ela poderia precisar de algum remédio (...) Ele a liberou para que a gente pudesse cuidar dela.”

Por volta das 20 horas, a polícia conseguiu que o sapateiro libertasse sua mulher, que foi atendida pelos Bombeiros. As negociações prosseguiram para que ele não tentasse se matar. Porém, por volta das 21 horas, ele disparou contra a cabeça, na altura do ouvido. “O tiro provocou a perda dos sentidos, mas ele ainda estava vivo e foi socorrido pela unidade”, disse o major Wellington.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários