Quem disse que a ‘Voz do Brasil’, programa obrigatório de rádio, não tem alguma utilidade? Eu costumo ouvir sempre que possível. E não é que fui surpreendido por uma excelente notícia? A Câmara dos Deputados aprovou a inclusão do cientista Landell de Moura no Livro dos Heróis da Pátria. Ele foi padre e inventor, e até obteve, nos Estados Unidos, em 1904, a patente do transmissor de ondas de rádio, do telefone sem fio e do telégrafo sem fio.
Se Pe. Landell não é reconhecido na América e na Europa como pioneiro na transmissão da voz humana sem fio, ao menos é no Brasil. É o mais novo herói brasileiro por projeto de lei do Senado, iniciativa do ex-senador Sérgio Zambiasi, do Rio Grande do Sul.
Em 1837, o que se tinha em tecnologia de comunicação era o telégrafo por fios, inventado por Samuel Morse. O telefone com fio, de Graham Bell, veio em 1876, e a radiotelegrafia de Guglielmo Marconi em 1895.
O grande desafio era justamente transmitir um sinal de áudio sem utilizar fios, feito conseguido pelo padre e cientista brasileiro.
O que pouca gente sabe é que o homem que conseguiu isso foi Padre Landell, em 3 de junho de 1900, sendo que a distância entre o aparelho emissor e o detector foi de aproximadamente 8 quilômetros. E isso foi feito entre o bairro de Santana e os altos da Av. Paulista, na cidade de São Paulo.
Padre Landell nasceu em Porto Alegre, em 21 de janeiro de 1861. Foi um gênio teórico e também o prático para construção de seus aparelhos. Era o cientista, o engenheiro e o operário ao mesmo tempo. Um ano depois de sua experiência inédita no mundo, Pe. Landell obteve uma patente brasileira para um ‘aparelho destinado à transmissão phonética à distância, com fio ou sem fio, através do espaço, da terra e do elemento aquoso’ no dia 9 de março de 1901.
Consciente de que suas invenções tinham real valor, Landell partiu com destino aos Estados Unidos da América. Com parcos recursos, teve que contar com a ajuda de amigos para levar adiante seu projeto. Apesar disso, conseguiu três cartas patentes: ‘Transmissor de Ondas’, precursor do rádio, em 11 de outubro de 1904; ‘Telefone sem fio’ e ‘Telégrafo sem fio’ em 22 de novembro de 1904. E ainda, em 20 de agosto de 1904, fez o ‘The telephotorama, ou Visão à distância’. Tratava-se da televisão(!), que só em 1926, teria sua primeira demonstração pública.
De volta ao Brasil, escreveu ao Presidente da República, Rodrigues Alves, a quem solicitou dois navios para demonstrar suas invenções.
Um assessor do governo o procurou e Padre Landell informou que desejava entre os navios a maior distância possível, e isto naquele momento, porque no futuro, quando aperfeiçoasse seus aparelhos, serviriam até para comunicações interplanetárias.
Foi julgado louco e o Brasil perdeu mais um gênio e uma oportunidade histórica.
Cem anos depois ainda somos um gigante adormecido, buscando espaço no mundo.
Mario Eugenio Saturno
Tecnologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE
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