Sonhar é preciso


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A legislação empresarial brasileira determina a todas as empresas, qualquer que seja o tamanho, a obrigação de, ao final do ano, levantar balanço patrimonial e financeiro para apurar lucros ou perdas.

É comum também ao final do ano, as pessoas refletirem sobre todas as iniciativas que realizaram e sobre aquelas que ficaram por fazer. Projeta-se também o ano novo e estabelece-se metas e prioridades nos no planos familiar, profissional, econômico, sentimental e na própria saúde.

Trata-se de hábito salutar. Projetar é o primeiro passo a ser dado para se atingir um objetivo, tenha ele a natureza que tiver. Consta que Walt Disney, certa vez, afirmou que quando descobriu que os sonhos podem se tornar realidade, passou a dormir não para descansar apenas, mas principalmente para sonhar.

Assim, que tal projetar para o próximo ano a realização de sonho que povoa há bastante tempo o nosso imaginário? Que tal lutar por ele? Dizia minha saudosa mãe que pensamento tem poder. Tenho a convicção que essa assertiva não seja de sua autoria, porém ouvi dela e nunca esqueci.

Tomemos como exemplo o inigualável Machado de Assis. Consta em sua biografia que ele nasceu no Morro do Livramento em 1839. Era afro-descendente em uma época cercada de muito preconceito, gago, sofria de epilepsia, filho de um pintor de paredes e de uma lavadeira – portanto, um casal de parcos recursos – e que também nunca freqüentou uma instituição regular de ensino.

Não obstante as adversidades que a vida lhe impôs e em pleno século 19, ele acalentou, desde tenra idade, o sonho de ser escritor. Estudou autodidaticamente e assim pode realizar seu sonho. É ele, considerado pelos mais conceituados críticos de literatura do mundo, o maior escritor da América Latina e um dos maiores gênios da literatura mundial. Escreveu em todos os gêneros literários e fundou a consagrada Academia Brasileira de Letras.

Eu, quando adolescente, pude ler, ou melhor, devorar, os 31 volumes de suas ‘obras completas’. Recentemente me peguei discutindo com as minhas filhas e com um amigo da família, se Capitu traiu ou não Bentinho. Óbvio que a genialidade de Machado de Assis deixou a dúvida para a eternidade.

Podemos citar tantos outros que, como Machado de Assis, travaram memoráveis batalhas com suas limitações, mas que igualmente ao escritor, conseguiram realizar o grande sonho de suas vidas.

Assim, no ano que está por começar, que tal iniciarmos a luta em busca da realização daquele sonho que está guardado em nosso íntimo? Também, façamos a verdadeira revolução, que é a pessoal e íntima. Afinal ‘sonhar é preciso. Viver...’. Pense nisso!

Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial e professor da Faculdade de Direito de Franca

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