Uma professora chega à sua primeira aula na 1ª série do ensino fundamental. Após se apresentar à turma e quebrar o gelo entre ela e seus alunos, ela começa a fazer para cada criança a famosa pergunta que todo mundo já escutou: “O que você quer ser quando crescer?”. “Eu quero ser uma atriz famosa!”, responde Maria. “Eu vou ser o melhor jogador de futebol que já existiu!”, afirma Pedrinho. “Quando eu crescer eu vou ficar muito forte e me tornar o maior lutador que o UFC já viu!”, diz Joãozinho, para o espanto da professora. Esta história fictícia serve para ilustrar uma nova tendência que vem tomando conta de todo o planeta. Com a popularização do UFC (Ultimate Fighting Championship) e a fama que seus melhores lutadores conquistaram, o sonho de subir num octógono, cercado por milhares de pessoas e conquistar o cinturão de campeão tem se tornado muito mais comum do que muitas mães realmente gostariam.
José Guilherme Campos tem 23 anos e trabalha como operário em uma fábrica de sapatos. Desde que começou a treinar MMA (Mixed Martial Arts ou Artes Marciais Mistas), há três meses, todos os seus colegas o olham com alguma estranheza. “É que eventualmente eu apareço com algum hematoma e mancando. Quando falo que é porque estava treinando, ninguém acredita e já acham que eu sai brigando por aí”, disse José Guilherme.
“Eu e mais três amigos nos reunimos duas vezes por semana para treinarmos, já que cada um pratica um estilo de luta diferente. Nós decidimos que seria melhor, e mais barato, se nós mesmos compartilharmos o que sabemos um com o outro”, disse. O treinamento é pesado e dura cerca de duas horas. Apesar de todo o esforço, José Guilherme é bem cauteloso na hora de sonhar. “É claro que gostaria de ser famoso como o Anderson Silva e de viver somente da luta, mas infelizmente eu não consigo me dedicar 100% a isso. Então faço apenas como atividade física e diversão também. Nossos encontros parecem até com o ‘Clube da Luta’.”
“Muita gente tem medo de fazer porque acha que vai sair na porrada logo de cara”, conta André Jackão, um dos lutadores de MMA mais experientes de Franca. “Lutar com outra pessoa é uma opção de cada indivíduo. O treinamento envolve muito mais que apenas sair no braço, envolve toda uma filosofia de respeito e disciplina”.
Aos 36 anos, Jackão passa toda sua experiência para qualquer pessoa que esteja interessada em aprender a lutar, para isso, basta ir à sua academia e se matricular. “São três aulas por semana. Cada dia o aluno aprende uma coisa diferente, seja técnicas de jiu-jitsu, muay thay, grecoromana e por aí vai. Eu não sei ao certo quantas calorias são gastas por treino, mas posso garantir que é muito puxado”, disse. “E como é muito dinâmico e divertido, o tempo passa muito rápido. Prova disso é o aumento muito grande de pessoas que procuram o MMA como atividade física.”
Seja como forma de manter a boa forma ou visando alcançar a fama e a fortuna como um lutador famoso, uma coisa é realidade: o MMA chegou para ficar e habitar de vez o imaginário de diversas crianças e marmanjos ao redor do planeta. Tudo isso para o completo desespero de diversas mães corujas que existem por aí.
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