Mato, lixo e bichos infernizam moradores do Parque do Horto


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DESCUIDO - Menino caminha próximo ao mato que ocupa ‘área de lazer’ no Parque do Horto. Moradores dizem que cavalos (ao fundo) levam carrapatos para o local
DESCUIDO - Menino caminha próximo ao mato que ocupa ‘área de lazer’ no Parque do Horto. Moradores dizem que cavalos (ao fundo) levam carrapatos para o local

Numa das entradas do Parque do Horto logo é possível avistar um extenso terreno desocupado, à frente da unidade básica de saúde, com a placa informando “área de lazer”. Mas lazer tende a ser uma das últimas realidades no local. O espaço, com 700 metros de extensão, está tomado pelo mato, serve de abrigo para bichos peçonhentos e é usado como depósito de lixo. Numa rápida observação é fácil encontrar embalagens plásticas, papelões e tijolos despejados. Uma fileira de pneus que delimita o espaço está coberta por mato.

O terreno tem uma das laterais na Avenida Luiz Belchior, que atravessa o Parque do Horto, e tem constante circulação de pedestres e veículos porque liga o Horto ao Vera Cruz e Santa Terezinha. Nela estão instalados dois pontos de ônibus, que ontem abrigaram passageiros durante a manhã toda. A calçada é estreita e, já tomada por mato, obriga os moradores a andarem na pista.

O atendente André Nascimento tem 20 anos e mora no Parque do Horto desde criança. Ele disse que o problema é antigo. “É uma situação horrível porque mora muita gente aqui e muitas crianças. É perigoso pelo tanto de bicho que tem. Falaram que iria ter uma área de lazer mas até agora nada, só promessas, só palavras.”

A família do sapateiro José Nilton Diniz, 46, mora em frente à área e com frequência encontra bichos - aranhas, escorpiões, pernilongos e outras espécies - dentro da casa. “Com esse matagal é complicado. Aqui está deixado de lado. É preciso decidir o que vão fazer porque tem muito bicho. Acho que tinham que cimentar ou construir uma avenida, canalizando esse córrego (existente no meio do terreno)”, disse ele, que mora com a mulher, os três filhos e dois netos.

Os moradores afirmam que muitos animais vivem no terreno e outros acabam sendo “levados”. Praticamente todos os dias, cavalos são amarrados nas árvores do local para se alimentarem do mato e a aparição de carrapatos com a presença deles se torna uma ameaça. “Eles deixam os cavalos aqui direto e eles trazem carrapatos. Sem contar os cachorros e outros bichos mortos que jogam aí. Era legal se tivesse uma praça com parquinho para as crianças brincarem porque espaço para construir tem”, disse a dona de casa Kênia Campos, 23.

Não são apenas os moradores do bairro que sofrem com o abandono do local. Ana Paula Morais, 37, é dona de casa e reside com os familiares no Jardim Cambuí. É comum ela atravessar às margens do matagal, pela Avenida Luiz Belchior, para levar um dos sete filhos ao médico na UBS do Horto. “Sempre passo por essa região, mas prefiro andar na rua, mesmo com carrinho de criança, porque com o mato não dá para a gente ver onde está pisando e tenho medo da terra desmoronar por causa do córrego”, disse ela. A Prefeitura planeja transformar a área em parque. 
 

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