Ditadura da minoria


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Há alguns dias, o prefeito Sidnei Rocha disse que a Câmara Municipal vivia sob a “ditadura de uma minoria”. A reação foi imediata, algumas em concordância, mas outras lhe devolvendo a expressão, deixando entender que ela lhe caberia perfeitamente.

A expressão não é nova. Muitos a têm usado atualmente, no geral para atacar adversários no terreno da política ou de qualquer outra prática cotidiana. Em um momento em que se busca fortalecer cada vez mais o espírito democrático, consolidando-se os direitos individuais e das minorias anteriormente perseguidas, essa acusação recai como um anátema sobre seus destinatários, mas traz bons dividendos para aqueles que a proferem.

De forma geral, essa expressão faz com que alguns passem por inimigos do ideal democrático, enquanto os outros posam como seus defensores. Porém, como é usada indistintamente por qualquer um desses lados, deixa também entrever certo relativismo, tanto semântico quanto na prática.

A ditadura, em si mesma, significa uma forma de governo completamente oposta à democracia. Se essa última designa o governo do povo, onde ninguém manda em ninguém e onde todos se vigiam e governam mutuamente, de forma representativa ou direta, a primeira é o governo exercido por uma única instância, um pequeno grupo ou uma classe, que manda e desmanda sem se preocupar com nenhum direito individual que não esteja ligado a seus interesses.

Nesse sentido, ditadura é sempre exercida por uma minoria, obviamente respaldada por uma grande maioria, seja pela concordância, submissão ou omissão. “Ditadura da minoria”, portanto, torna-se apenas um simples jogo de retórica, mais propício a obscurecer do que a explicar.

Seja como for, o comportamento que essa expressão busca explicar é que não ajuda em nada, nem no crescimento da cidade, nem na consolidação do regime democrático. Mas o reverso também é verdadeiro, pois de nada adianta a oposição devolver a alcunha ao prefeito.

Nesse sentido, é importante que todos deixem de lado essa expressão vazia e inútil e concentrem-se no que é mais importante, ou seja, a consolidação da verdadeira democracia, o que só é possível por meio do diálogo e da argumentação embasada.

Se olharmos para a história da humanidade, vamos perceber que seu desenvolvimento sempre foi uma lenta marcha para a diversidade. Nesse caminho, a cultura somente floresceu à custa dos atritos e interações que ocorreram entre as suas diferentes modalidades e variedades, pois é o entrechoque consciente dessas diferenças e oposições que cria a unidade dinâmica.

Portanto, que todos sentem à mesa desarmados e sem rancores, defendendo suas ideias e posições de maneira clara e objetiva. O diálogo franco, por mais duro que seja, é sempre melhor que as acusações sem sentido.
 

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