Delfinópolis pode se transformar em pólo de extração de diamantes


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MAPA DA MINA - Oscar Ferreira Neto, da ONG Canastrazul, olha buracos deixados pela mineradora na área da Serra que pode ter exploração de diamantes
MAPA DA MINA - Oscar Ferreira Neto, da ONG Canastrazul, olha buracos deixados pela mineradora na área da Serra que pode ter exploração de diamantes

A calmaria e o cenário bucólico de Delfinópolis (MG), no sul do Estado, a 101 km de Franca, estão ameaçados. Um projeto no Congresso Nacional poderá transformar a cidade mineira, a partir de 2012, em um pólo de extração de diamantes. Se aprovado, o projeto delimitará novas marcações para o Parque Nacional da Serra da Canastra e autorizará a exploração em uma área do tamanho de 28 campos de futebol, atraindo milhares de mineradores, familiares e curiosos.

A proposta de alterar o tamanho do Parque Nacional da Serra da Canastra, criando áreas para a prática de atividades econômicas e mineração, partiu de uma base de deputados mineiros e, em seguida, recebeu uma emenda do senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF). A ideia é reduzir o Parque de 200 mil hectares para 120 mil hectares e dividir o restante em áreas de Monumento Natural, com permissão para atividades agropecuárias e produção de queijo da canastra e áreas para exploração de minérios.

“Os agricultores da região querem essa nova demarcação, pois poderão regularizar suas propriedades, além disso a exploração de diamantes não pode acontecer sem essa aprovação. Outro detalhe é que o parque não sairá perdendo, pois outras áreas de maior valor ecológico serão incorporadas”, disse o senador Rollemberg. Segundo ele, o projeto está para apreciação pela Comissão de Meio Ambiente do Senado e poderá entrar em votação a partir de fevereiro, após o retorno do recesso. Se for aprovado no Senado, o texto retorna para Câmara e, na sequência, aguarda sanção da presidenta Dilma Roussef (PT) para virar lei.

Antecipando uma possível aprovação, o Instituto Chico Mendes (que cuida da conservação de parques) já apresentou um novo mapa com a exclusão das áreas apontando, inclusive, a localização das áreas para exploração.

A futura área de exploração fica próximo à nascente que abastece a cidade e dá origem ao Claro, um complexo de cachoeiras que é tido como cartão postal do município. O local fica a cerca de dez quilômetros de Delfinópolis.

HISTÓRICO
A história de que a Serra da Canastra é uma mina de diamantes se confunde com a da fundação da cidade. No começo do século XVIII, bandeirantes teriam fundado garimpos na região em busca de pedras preciosas. “Há cerca de 20 anos houve um movimento de pesquisadores na cidade, eles vistoriaram várias áreas, fizeram sondagens, perfurações e ficaram estacas, mas essa história de ter diamantes por aqui já existe faz muito tempo”, disse o professor aposentado e historiador José Leite Sobrinho, 84. Ele é contra a exploração de diamantes na cidade. “Não quero ver Delfinópolis se transformar em uma nova Serra Pelada. Será prejudicial para o município e para o meio ambiente.”

Apesar de já haver mineradora interessada e áreas propícias para a exploração de quartzito e kimberlito (rocha que contêm diamantes), o próprio prefeito José Geraldo Martins (PSDB), o Zezé, diz ainda não ter visto nenhum estudo dando garantias de benefícios para a cidade. Segundo ele, uma das preocupações é com a infraestrutura do município, que pode não suportar a nova carga.

O prefeito teme, por exemplo, a falta de unidades habitacionais, escolas e um possível colapso na área de saúde. “Não temos previsão de quantas vagas serão geradas. Acima de 500 empregos, complica a situação da cidade, pois atrairá muitas pessoas, já que o município tem deficiência de mão de obra.”
 

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