Quando Jesus decidiu nascer numa simples manjedoura, estava transmitindo à humanidade sua grande mensagem. A mensagem da humildade. Ele poderia ter escolhido, para nascer na Terra da sua época, uma família tanto abastada quanto de elevado status social, que fosse uma família conspícua e tradicional dentre o povo hebreu. Mas, renunciou a esse direito. Para cumprir a Sua Jornada de redenção do ser humano da nossa casa cósmica, preferiu a simplicidade da manjedoura. Pois, foi a simplicidade e a humildade que marcaram toda a sua vida entre os homens.
Nada mais possuía que uma simples indumentária, em nada diferente da que utilizava o homem comum da Palestina. Não ocupou cargos importantes. Não disputou honrarias. Não postulou posição de realce no Templo da raça. Antes, uniu-se aos desamparados, aos miseráveis, convivendo com homens do povo e mulheres execradas pela sociedade. Seus companheiros do dia-a-dia eram leprosos, coxos, enfermos de toda ordem, assassinos, condenados, marginais, enfim, a ralé.
Seus discípulos eram humildes pescadores. Não havia, entre eles, alguém que ocupasse altos cargos na Sinagoga. Conquanto respeitasse profundamente a lei, não se submeteu ao farisaísmo imperante. Ao contrário, deplorou tal atitude social. Não se aliou aos poderosos para usufruir das benesses do poder. Preferiu conviver com as populações exploradas para, sobretudo com o Seu exemplo, dignificar a Criação de Deus.
Acudiu, especialmente, os que não eram considerados; a parcela de oprimidos, com os quais dividiu pães e peixes e inaugurou a era da fraternidade e da solidariedade na Terra. Não se preocupou em implantar credo político. Fez da caridade - que é o amor aplicado -, a lei máxima da sua doutrina.
Evidenciou que ‘os seus discípulos seriam conhecidos por muito se amarem’ e que, para muito se amarem, independeria de cultuar ou não esse ou aquele credo. Mas, pela Parábola do Bom Samaritano, disse aos que O ouviam, que, para implantar o Reino dos Céus no coração, é preciso ‘amar ao próximo’. Deixou indubitavelmente claro que o que fizéssemos ‘aos pequeninos’ era a Ele que o fazíamos.
Não ofereceu margem à contestação. Foi peremptório, porque a sua doutrina é a doutrina do Amor. Por isso, asseverou: ‘Meu Reino não é deste mundo’. E enfatizou, ainda, que, na Lei de Amor e Justiça, havia uma condição, a da abnegação: ‘quem quiser ser o maior, que seja o menor’.
Convocou a todos a estabelecer o verdadeiro Reino do Pai dentro dos nossos corações, alertando: ‘O Reino de Deus está dentro de vós’.
Assim, neste Natal, convidemos, para as comemorações, o Cristo simples e humilde, que fez de uma manjedoura o Palácio da Redenção Humana.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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