Dedicação premiada


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Em termos de qualidade, já sabemos que o sistema educacional brasileiro não é dos melhores, sobretudo se comparado com os sistemas implantados em alguns países da Europa, nos EUA e na Coréia do Sul, por exemplo. Os exames internacionais e mesmo aqueles realizados em nosso território podem facilmente comprovar essa tese.

No entanto, não se pode negar o esforço que o governo e toda a sociedade brasileira vêm desenvolvendo nas últimas décadas para melhorar nosso sistema de ensino. Vários projetos foram realizados, aumentou-se o investimento em educação e até mesmo dois planos nacionais foram elaborados.

Nesse esforço, há também que se realçar o trabalho desenvolvido por algumas escolas. Mesmo que não seja a solução para todos os nossos problemas, as ações isoladas de alguns professores, diretores e coordenadores podem com certeza ajudar. E, como tal, deveriam ser amplamente divulgadas e copiadas.

É o caso do trabalho desenvolvido pela professora Juliana Cunha de Melo, da Escola Municipal ‘Professor Hélio Paulino Pinto’. Com o projeto ‘Do porquinho ao leão: para onde vai o meu tostão’, Juliana concorreu com outros 1,6 mil trabalhos ao 5´ Prêmio Professores do Brasil, promovido pelo Ministério da Educação, ficando entre os 39 trabalhos premiados.

Com bastante simplicidade, o projeto mostra que é possível fazer a diferença sem a necessidade de grandes investimentos, bastando para isso um pouco mais de dedicação e criatividade. Com materiais, ferramentas e meios variados, todos entrelaçados por uma metodologia mais adequada às crianças atuais, essa professora conseguiu passar o conteúdo de sua disciplina e obter de seus alunos resultados bem mais significativos do que conseguiria se utilizasse os meios e as ferramentas tradicionais. As crianças aprenderam sobre o sistema monetário brasileiro, impostos, patrimônio, aplicação do dinheiro público, entre outras coisas, a partir da leitura de textos diferenciados, notícias de jornal, charges, vídeos, planfetos. Para se ter uma ideia da criatividade, cada criança também se tornou atendente da cantina por um dia para aprender sobre troco, por exemplo.

No entanto, esses frutos agora colhidos exigiram um esforço maior durante a época de plantio. Com certeza, Juliana precisou trabalhar fora do ambiente e de tempo da sala de aula, utilizando-se das horas especificamente pagas para ações de planejamento ou até mesmo de seu tempo particular, direcionado para a sua vida privada.

Como nem todos os professores têm hoje motivação ou esse tempo extra para dedicarem-se à construção de projetos pedagógicos criativos e inovadores, acabamos desperdiçando vários talentos em potencial, já que a maioria dos professores, para obter uma remuneração mais digna, precisa acumular o máximo possível de aulas, seja na mesma escola ou em instituições diferentes.

Nesse sentido, é importante que nossas autoridades, em todos os níveis, comecem a perceber a importância de ter os professores dedicados o máximo possível a uma única escola, como seus funcionários, e não como trabalhadores horistas, dedicados apenas às suas próprias aulas, sem tempo ou motivação para pensar na escola, na formação integral dos alunos e no processo de educação como um todo.

Quem sabe assim outras Julianas poderão surgir, a despeito das premiações e do próprio MEC.

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