Busco uma estrela
Que me conduza ao Menino
Que acaba de nascer.
Que me afaste das ruas
Apinhadas de cansaço,
Pés exaustos, olhos fartos
De papéis e sedas e laços
E sortimento de vozes
Espremidas entre praças
E preços
E prazos de pagamento.
Busco uma estrela
Que me conduza ao silêncio, ao mistério.
À singela beleza da pétala.
À violeta que se abre ao infinito
E à asa de uma borboleta.
Que me afaste das moedas
De troca, de troco, de troça...
Que me afaste das palavras
Vazias de sentimento.
Do gesto e do riso rasos
Voltados às safras de cifras,
Ao peso das pedras terrenas.
Busco uma estrela
Que galgue da terra
As malhas, o poder.
Rompa elos, abra olhos.
Desvele no céu o sentido
E me conduza ao Nascido
Que ensina a renascer.
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