Mais um final de ano. No próximo domingo comemoraremos outro Natal que, hoje, tem um sentido diferente para muitas pessoas. Não sou daqueles que pensa ser a data do Natal uma data apenas comercial. Acredito que o Natal é, também, data de confraternização mundial. Pelo menos para a parte cristã do planeta.
Acho que presentear alguém, nessa data, é expressão de afeição. Através de um presente, dizemos para alguém que gostamos dele. Não vejo mal algum nisso. O problema é quando nos atemos unicamente nesse aspecto da data natalina.
O Natal, atualmente, não é mais como os da minha infância. Meu pai já não está mais fisicamente conosco, meus avôs também não e alguns irmãos e outros parentes estarão distantes nas comemorações. Reconheço que isso é triste e não deixarei de ficar saudoso. Mas, e daí? As mudanças são permanentes. Por esses motivos, já há alguns anos, tenho aproveitado o Natal para algumas reflexões.
Umas são de ordem pessoal. Aquelas que, quando entendemos o real sentido da vida, nos faz pensar sobre como estamos dando conta do dia-a-dia. Como lidamos com os nossos sentimentos e, na medida em que os escutamos, como lidamos com as descobertas íntimas e com as perdas que ocorrem a cada momento vivido. Perdas de pessoas queridas (familiares e amigos) e as perdas emocionais, decorrentes de frustrações, decepções, derrotas ocasionais e até mesmo das nossas próprias limitações. Há aqueles que acham (pelo menos falam assim) que tudo é aprendizado. Pode ser, mas são perdas que doem profundamente.
Outras reflexões extrapolam o íntimo, o estritamente pessoal e nos projetam para o social. Para os compromissos que adquirimos ao longo da vida e, numa consideração espiritualista, os compromissos que assumimos para essa vida. Reflito sobre todas as coisas para com as quais eu gostaria de contribuir para que se realizassem e pudessem beneficiar muitas outras pessoas, principalmente aquelas que, nessa vida, estão desprovidas materialmente. Reflito, quase que simultaneamente, sobre todos aqueles que têm a chance de contribuir com a melhora social, mas perdem-se na sua arrogância, na sua prepotência e na sua pequenez moral e espiritual. Logo me consolo pensando que ainda aprenderão alguma coisa e, certamente, em um momento futuro (nessa ou em outra vida) se tornarão melhores e mais úteis.
Assim, vou avançando a cada ano. Aprendendo um pouco mais e reafirmando meus compromissos com a vida. Fazendo um balanço do que foi o ano que passou, dos amigos que partiram, daqueles que continuam próximos (renovando em mim a importância da amizade) e dos novos que surgiram ainda em tempo de me ensinar.
Natal, para mim, tem adquirido esse sentido, o sentido da auto-conscientização, buscando a comunhão com os valores do bem, porque a Terra, para os encarnados, é apenas um curso de pequena duração, mas de alta responsabilidade.
Um dia, voltamos para Casa para avaliar os deveres realizados. Todos os que possuem algum tipo de poder, deveriam refletir sobre isso.
Feliz Natal a todos que amam a vida e respeitam, sem restrições, as pessoas.
Cassiano Pimentel
Agente de Exportação e Professor Universitário.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.