Lixão e falta de berço


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Antes eram as áreas públicas. Conforme várias matérias publicadas por este Comércio já mostraram, vários terrenos foram motivo de reclamação de uma parcela significativa da população nos últimos tempos. Praças e outros terrenos públicos, que deveriam servir como áreas de lazer e entretenimento, transformaram-se em depósito de lixo, motel e espaço ‘livre’ para a utilização de drogas.

Agora, são os terrenos particulares que estão servindo para a proliferação da sujeira. Para além dos problemas ambientais, tal situação serve para deixar a cidade mais feia, o que impacta a qualidade de vida dos cidadãos, já que ninguém gosta de conviver ou simplesmente presenciar a sujeira, o mau-cheiro e a insegurança que ambos acabam ocasionando.

Parece que o desleixo com o meio ambiente não tem fim. Por mais que se desenvolvam campanhas publicitárias e a despeito da quantidade de matérias que são divulgadas pelos veículos de comunicação, continuamos agredindo nossos próprios olhos e narizes, insistindo em uma prática egoísta que prioriza o bem-estar privado em detrimento do interesse público.

Basta de voltar sempre à velha ladainha de que o poder público demora ou não limpa esses terrenos. Culpar autoridades nesse caso, é bem cômodo e leviano. Independentemente das responsabilidades que pesam sobre os poderes públicos e sobre os proprietários de terrenos urbanos, a maior parcela de culpa cabe à própria população. É ela quem deposita lixo em lugares inadequados.

Por essa razão, é preciso começar a punir de forma mais severa e incisiva as pessoas que insistem em jogar seu lixo privado no espaço alheio, em áreas não apropriadas.

Não é mais possível aceitar argumentos sociológicos ou culturais para explicar esse descaso com o interesse público. As pessoas estão muito bem informadas, sabem que não podem jogar lixo nas ruas ou em terrenos particulares, a despeito de sua condição socioeconômica e de sua escolaridade. É uma questão de educação, de preocupação com o outro, com o meio ambiente, com a cidade, com o espaço coletivo. E esses aspectos estão em baixa entre muitos francanos.

O fato incontestável é que respeito ao próximo não é uma questão de dinheiro ou de sabedoria, mas uma questão de princípios e de berço. Talvez algumas multas possam assustar um pouco esses ‘cidadãos’ que ainda insistem na lei de Gerson. Se não resolver, pelo menos poderá atenuar o problema.

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