Não é novidade para ninguém o atraso secular de nosso sistema educacional. Enquanto o sonho iluminista do século XVII impulsionava os EUA e vários países europeus a colocarem todas as suas crianças na escola ainda em meados do século seguinte, no Brasil isso só aconteceu no final do século XX, mais precisamente na década de 1990.
De qualquer forma, antes tarde do que nunca. Mas, se vencemos a etapa da massificação do ensino, nos falta ainda outra muito mais delicada, complexa e desafiadora. Para competir com mais eficácia e maestria nesse mundo globalizado será preciso cuidar agora da qualificação desse mesmo ensino.
Porém, se levarmos em consideração as avaliações nacionais e internacionais que têm mensurado os conhecimentos de nossos alunos, vamos perceber que atualmente estamos muito aquém daquela qualidade que seria necessária para garantir e perenizar o desenvolvimento do país.
Nesse sentido, a criação de mais 5 ETIs (Escolas de Tempo Integral) em nossa cidade, se ainda não é a panacéia para todos os males que atingem nosso sistema de ensino, é pelo menos uma ação muito bem-vinda, pois de acordo com várias pesquisas já realizadas, o tempo que o aluno passa dentro da escola influencia positivamente o seu desempenho futuro.
A carga horária, no entanto, está longe de garantir, por si só, uma melhora na aprendizagem dos alunos. Em países como a Finlândia e a Coréia do Sul, campeões do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), feito pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a carga horária escolar é menor que a brasileira.
Dentro desse contexto, chama a atenção o fato de que os professores que decidirem continuar nessas ETIs terão que optar pela dedicação exclusiva. Talvez esse seja um avanço bastante significativo, capaz de melhorar o desempenho do professor não apenas em sala de aula, mas na construção de um ambiente escolar mais produtivo e eficiente.
Atualmente, os professores são instados a trabalharem em várias escolas. Para compor um salário melhor, acumulam aulas e mais aulas, ficando sem tempo para estudar, se reciclar ou buscar novas maneiras de ensinar.
Com essa nova condição, a ideia é que os docentes ganhem uma identidade. Não serão apenas professores, mas sim professores de uma determinada escola. Em função disso, poderão participar mais ativamente de todas as ações necessárias para transformar sua escola em uma instituição cada vez melhor.
Nessas escolas específicas, os diretores poderão agora agir como qualquer outro gerente do mundo empresarial privado, tentando tirar de seus funcionários aquilo que eles têm de melhor. Se no mundo empresarial os recursos humanos tornaram-se o principal diferencial de competitividade de todas as empresas, com certeza essa regra não se transformará em exceção no mundo das escolas.
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