Quando o final de ano se aproxima, a perspectiva das festas parece mudar o tom de nossos humores. O estresse acumulado ao longo da jornada parece dar lugar a um sentimento de paz e solidariedade. Ao mesmo tempo em que começam a tirar dos armários os enfeites de natal, as pessoas parecem se abrir para a confraternização.
Bombardeados por mensagens de todos os tipos, também não há como ignorar o apelo comercial que parece nos impor a obrigação de presentear. Mas isso é só na aparência. Apesar de sermos o maior país católico do mundo, há muitas pessoas que se retraem diante das festas natalinas e de toda a agitação que se segue. Algumas por professarem crenças religiosas distintas, outras por convicções ideológicas e outras, ainda, por questões mais pessoais.
A esteticista Aparecida Helena Peliciari é uma delas. Para Cidinha, como é mais conhecida em Cristais Paulista, onde tem um salão de beleza, o Natal é uma grande mentira. Seguidora de Yahushua (verdadeiro criador), ou Messia, como também é chamado, Cidinha defende a tese de que as pessoas estão sendo enganadas. Jesus seria uma criação do “inimigo” de Yahushua, portanto uma forma de confundir as pessoas, desviando-as do verdadeiro caminho.
Para os seguidores de Yahushua, inclusive, a data que marca o nascimento do salvador não seria 25 de dezembro. Segundo os estudos que eles desenvolvem sobre as escrituras sagradas, a data estaria entre março e abril.
“Não sabemos precisar a data exata, mas temos certeza de que o verdadeiro salvador não nasceu em dezembro. Aliás, não somos nós que dizemos isso, são as escrituras”, completa Cidinha.
Além disso, ela acredita que o Natal está exageradamente comercial, o foco virou o presente, e não a essência religiosa da festa. “Sempre digo para minha filha que a ação de presentear não precisa ser nesse dia e que não podemos ficar apegados a isso”, diz.
A jornalista Rose Victal é outra que não se adapta muito bem às festas natalinas. Seu motivo é “meio” religioso e “meio” laico. Seus pais eram testemunhas de Jeová. Ele não seguiu a religião, mas sofreu a influência.
“Quando eu tinha 5 anos, disse toda feliz para minha mãe: ‘o Papai Noel vai chegar’. E ela respondeu aos gritos: ‘Papai Noel não existe, isso é uma invenção’.”
Em função disso, Rose foi uma criança que nunca ganhou um presente, o que lhe marcou até hoje. Enquanto suas amigas se divertiam com o que ganhavam, Rose era obrigada a insistir que Papai Noel não existia.
“Eu ficava triste. Às vezes, para não ficar totalmente por fora, eu mentia. Dizia que tinha ganhado roupa, um presente que nenhuma criança gosta”, lembra.
Com o tempo, porém, essa tristeza em relação às festas natalinas foi ganhando novas dimensões. Mais madura, Rose começou a perceber certos exageros que “azedaram” ainda mais seu Natal. Para ela, a festa virou uma confraternização superficial em que o que parece importar são os presentes e a comilança.
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