Viúva diz que condenação de bandidos foi um presente de Natal


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 Ângela Maria da Silva Pereira, viúva do comerciante Fernando Pereira, disse que está ‘mais tranquila’ com a condenação dos assassinos de seu marido
Ângela Maria da Silva Pereira, viúva do comerciante Fernando Pereira, disse que está ‘mais tranquila’ com a condenação dos assassinos de seu marido

389 dias. Esse foi o tempo que levou entre a morte do comerciante Fernando Pereira, de 37 anos, até a condenação da dupla que roubou e o matou dentro de sua padaria no Jardim Vera Cruz. Fernando reagiu ao assalto e levou três tiros (dois na cabeça) na frente da mulher, Ângela Maria da Silva Pereira, ao reagir à ação de um ladrão armado no dia 22 de novembro de 2010.

Viúva, com dois filhos de 8 e 4 anos para cuidar e, ainda, continuar o trabalho construído pelo marido para manter o sustento da família, Ângela diante desta situação se apegou à fé para suportar a perda do companheiro e tirar forças para não fraquejar. Ontem, no final da tarde, Ângela soube através da reportagem do Comércio a condenação dos criminosos. “Me sinto mais tranquila de ter visto que a Justiça foi feita”, disse a comerciante que assumiu os negócios do marido e conta com a ajuda do sogro e da cunhada. Ângela disse que esta determinação judicial é como se fosse um presente de Natal e de aniversário antecipados (ela completa 40 anos no dia 19 de janeiro).

Ângela acorda diariamente às 3 horas da manhã e vai para padaria, de onde só sai às 20 horas. Durante o dia ela intercala, no que seriam horas de descanso, a ida até a escola para buscar os filhos e arrematar os assuntos administrativos da padaria fundada pelo marido há seis anos. Antes o casal mantinha dois estabelecimentos – um no Jardim Vera Cruz e outro no Leporace. Com o crime, que culminou na morte de Fernando, Ângela teve que fechar a filial no Leporace. “Vários amigos dele ainda não têm coragem de entrar na padaria, porque a presença dele ainda é muito forte no lugar. Ele era uma pessoa que cativava a todos”, lembra a mulher.

Comércio da Franca – Você estava acompanhando o processo? A decisão da Justiça era a que você aguardava?
Ângela Maria -
Estava acompanhando o caso. Eu esperava o máximo mesmo (a pena máxima). Graças a Deus, a Justiça foi feita. Não vou dizer que estou me sentindo aliviada, mas estou me sentindo mais tranquila, porque uma pessoa destas na rua seria bem pior. Me sinto mais tranquila de ter visto que a Justiça foi feita. 

Comércio - Como está a sua vida após a trágica morte do seu marido?
Ângela -
Eu estou fazendo o mesmo serviço de antes. Porque eu preciso, eu tenho dois filhos, um de 8 e um de 4 anos. Eles precisam de mim. Eu acho que se o Fernando estivesse aqui, a gente estaria fazendo a mesma coisa, porque ele era uma pessoa muito boa, que me dava muita força. Eu não posso parar para pensar no que aconteceu. Eu tenho que continuar fazendo as coisas que ele fazia para cuidar dos meus filhos. 

Comércio – Quais são seus planos agora?
Ângela
- Vou continuar tocando a padaria até quando der. Porque não é fácil. A gente fica aqui das 3 horas da manhã até as 20 horas, com algumas horas de descanso só. Cuidar de filho, casa e trabalho sozinha é muito difícil. Mas, com a graça de Deus, eu vou conseguir, eu vou vencer. 

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