Noventa e nove espetáculos e um público de mais de 18 mil pessoas. Este é o balanço das atividades que o Teatro Sesi de Franca realizou no decorrer de 2011. Ao todo, foram 54 apresentações de teatro, dez concertos eruditos, dez shows de música popular e 15 projetos locais (envolvendo apresentações musicais e dramatizações). Este final de semana, o Teatro apresenta suas duas últimas sessões com o espetáculo Eu Te Amo Não Diz Tudo, encenado pelos alunos do grupo Múltiplas Linguagens, que faz parte do Núcleo de Artes Cênicas da instituição. As sessões acontecem hoje, às 20 horas, e no domingo, às 19 horas, com entrada gratuita.
Há oito anos à frente do Núcleo de Artes Cênicas do Teatro Sesi, Alessa Hungria explica que o espetáculo foi uma criação coletiva. “Todos os textos são fruto da pesquisa dos alunos Múltiplas Linguagens, que é o módulo de curso teatral mais avançado que trabalhamos no Sesi. Esse curso tem um ano de duração e é o único que exige um processo de seleção para a escolha dos integrantes”, explica. A ideia do tema do espetáculo partiu de Alessa, que escolheu falar sobre o amor nos relacionamentos conjugais. “Fizemos a seleção dos alunos em março, e em abril começamos a trabalhar o tema amor e relacionamento. Desde o princípio, a ideia era falar sobre o amor de um casal que está junto, que vive um relacionamento. Não queriamos falar de amor platônico, traição, relacionamentos que acabam. O objetivo era falar da relação em si”.
Durante três meses, os alunos do curso entrevistaram pessoas, pesquisaram crônicas, poesias, textos teatrais e não teatrais, músicas e imagens, sempre relacionadas à temática que envolve amor e relacionamento. A partir daí foi elaborado o texto da peça. Nas aulas do curso também foram trabalhadas técnicas de improvisação e exercícios de aproximação. A estreia da peça aconteceu em novembro, e a reação do público foi positiva. 1,6 mil pessoas já assistiram ao espetáculo. “A gente tem se surpreendido bastante. O assunto tem tocado as pessoas. Elas têm se identificado muito com as situações do espetáculo”, diz Alessa.
Em Eu Te Amo Não Diz Tudo, casais homossexuais e heterossexuais vivenciam 36 situações aparentemente simples de um casal. Em cada cena, uma situação que qualquer casal pode viver, desde a mulher que vai ao cabeleireiro, faz luzes e o marido não percebe, até questões mais complexas, como mulheres homossexuais que querem ter um filho e não sabem quem vai ser o doador do sêmen. “São situações cotidianas que aparentemente são simples. Abrindo e fechando cada cena, nós usamos um texto de apoio de autores consagrados que nos fazem entender o que está por trás dessas situações. É um espetáculo muito poético e sensível”, afirma.
Diante do público expressivo no decorrer do ano no Teatro Sesi, Alessa faz uma comparação com os anos anteriores, desde que assumiu a posição de Orientadora de Artes Cênicas da instituição. “Eu vejo, nesses oito anos, uma colina. Começamos muito fracos, depois tivemos um boom, mas lentamente entramos em um processo de declínio. Este ano o público subiu novamente. Mas o mundo mudou muito, está muito veloz. Acho que o teatro, a arte do ao vivo, não vai perder o seu espaço. O fato é que hoje o teatro é dividido com inúmeras outras opções. Temos linguagens midiáticas artísticas que não existiam há dez anos atrás”. Para ela, o teatro ainda não faz parte do hábito cultural do brasileiro. “Não é só a questão de Franca. O futebol faz parte do nosso cotidiano. A novela faz. O concerto, a peça de teatro ainda não se tornaram hábitos para nós. E é isso que nós tentamos com nosso trabalho, introduzir essa arte na vida das pessoas”.
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