Novos empresários


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O Anuário do Trabalho da Micro e Pequena Empresa, produzido pelo Sebrae e publicado por este Comércio na última semana, traz dados interessantes para se refletir sobre as transformações que o Brasil vem experimentando.

De acordo com eles, o País ganhou cerca de 2,7 milhões de empreendedores nos últimos 10 anos, chegando a um total de 22,9 milhões de pessoas que resolveram se arriscar a ter seu próprio pequeno ou micro negócio.

Esses dados, porém, em si mesmos, não revelam uma grande novidade. De certa forma, já foi bastante divulgado que em todo o mundo globalizado as micro e pequenas empresas empregam bem mais que as grandes. No Brasil, por exemplo, estudo do Sebrae mostra que até o mês de outubro foram criados 1,9 milhão de empregos em todo o país. Desses, 1,4 milhão foram criados pelas pequenas, o que corresponde a cerca de 80% do total de vagas abertas em 2011.

No entanto, o que é mais interessante nesses dados é que o crescimento do número de empreendedores não se deu pela necessidade, característica que impulsionava a abertura desses negócios anteriormente. O ‘boom’ agora é incentivado pelas oportunidades, graças à estabilização da economia e ao aumento de consumo, puxado, sobretudo, pelas camadas de baixa renda.

Mesmo que possa parecer banal, essa diferença é bastante significativa. A necessidade, geralmente levava as pessoas a agirem de forma apressada e sem muito planejamento. Pelo sustento diário da família, muitos acabavam se arriscando sem os mínimos cuidados essenciais para sobreviver nesse mercado extremamente competitivo. O resultado, como não podia deixar de ser, foi sempre muito ruim, se levarmos em conta a alta taxa de mortalidade dessas empresas.

Inversamente, quando se monta um negócio de olho em uma oportunidade percebida no mercado, a tendência é que o empreendedor dê mais atenção ao planejamento para que sua empresa seja lançada de maneira mais sólida e consistente.

Com informação e tecnologia mais baratas e acessíveis, aliado ao bom trabalho de apoio que o Sebrae tem dado a esses empreendedores, o resultado parece que tem melhorado a performance dessas organizações, aumentando os índices de formalização e longevidade.

O futuro, no entanto, promete muitos desafios. Com a crise internacional batendo novamente em nossas portas, a indústria está desacelerando sua produção e o PIB estacionou no 3´ semestre. Como uma bola de neve, essa situação já está impactando o consumo das famílias brasileiras.

Dentro desse contexto, é natural inferir que as micro e pequenas empresas serão as primeiras a sentir as conseqüências dessa situação. Para enfrentá-las, precisarão concentrar-se ainda mais nas modernas ferramentas de gestão para continuarem crescendo em volume e importância e no cenário da economia nacional.

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