Notas avulsas


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Visitei a livraria/café recém-inaugurada em Franca com o sugestivo nome de Ao Pé da Letra. Foi amável e atenciosa a recepção por Adriana, proprietária. Conheci os diversos setores, divididos por gênero literário, percebi com prazer o bom-gosto dos títulos, temas e lançamentos. Tudo muito bem arranjado, aconchegante, aquele recanto tão caro aos leitores e apreciadores da arte de que tanto falei no último sábado. Chamou-me especial atenção a varanda, um simpático espaço para se degustar um bom café, ler um trecho do livro de momento, alimentar um bom e inteligente bate-papo. Vi a exposição da árvore de poesias da Academia Francana de Letras e entendi que aquele é um espaço ideal para eventos do gênero. Que Franca receba Ao Pé da Letra de braços abertos e que, gradualmente, os francanos devoradores de boas obras façam daí seu ponto costumeiro de encontro.

Comentário leva a outro. Acabo de receber da sucursal paulista da Seleções Reader’s Digest autorização especial e individual para promover uma antiga pretensão: expor as propagandas editadas pelas Seleções dentro do período histórico de 1938 a 2000. Sucede que tenho todos os números das Seleções referentes a esta data. Já montei uma equipe especializada para selecionar as páginas de publicidade por décadas. Entendo por interessante e inédita esta idéia, porque mostrará, a um só tempo, a história linear da evolução do projeto gráfico e os textos com sugestivas mensagens subliminares de democracia e ética. Principalmente o que se verificou no pós-2ª Guerra Mundial. Pretendo expor estas publicidades no próximo mês de maio, com o apoio cultural da Editora Unifran.

Observando bem como o pedestre de Franca transita pelas ruas centrais da cidade, apinhadas de carros e motociclistas desmiolados, verdadeiros camicases do guidão e tanta gente desnorteada, fico pensando: o pedestre francano é uma espécie em perigo de morte. Já o caminhante atento é um homem de posse da sua alma.

Discutindo a respeito de comportamentos estranhos de políticos antigos, um amigo ponderou sobre Jânio Quadros:
- Acho que não poderiam interná-lo num hospício. Mas, se ele já estivesse internado, acho que não o deixariam sair.
Interessante como esta definição serve direitinho a tantos homens públicos e notáveis que conhecemos hoje em dia.

Uma sentença judicial numa determinada cidade demorava tanto para sair, mas tanto que já andavam chamando (e principalmente escrevendo) o Juiz daquela localidade de “esse lentíssimo” senhor Juiz.

A maioria das decepções por que passamos quando adultos poderiam ser infinitamente suavizadas se soubéssemos que aquilo a que chamamos de FELICIDADE não é um lugar aonde devemos chegar, mas um caminho pelo qual devemos percorrer. É um estado de espírito que às vezes se interrompe, e não algo permanente (como queremos) até os nossos últimos dias.

Está certo. A mulher, depois do movimento feminista em Londres no qual queimaram sutiãs e reivindicaram os mesmos direitos do homem, está aí mostrando seus direitos e habilidades incontestáveis: na política, na economia, na educação, nas artes, na administração... Mas ainda restam algumas pequenas divergências. Por exemplo: a barata! Quem mata a barata caseira, afinal? Está certo, minha esposa e eu acreditamos na libertação da mulher. Nós somos iguais. Mas quem deve se levantar, no meio da madrugada, quando há um barulho estranho na cozinha?

Decididamente, Woody Allen é o gênio contemporâneo do cinema. Menos como autor, muito mais como roteirista e diretor, deixou a marca do inesquecível em seus filmes inteligentes. Sugiro um para os leitores: MEIA-NOITE EM PARIS. Não dá para não assistir: trilha sonora, fotografia, roteiro e principalmente diálogos empolgam a cada minuto.

Repassando. O pai compra um robô detetor de mentiras que dá tapas nas pessoas quando mentem. Decide testá-lo ao jantar.
- Filho, onde esteve hoje?
- Na escola, pai.
O robô dá um tapa no filho.
- Está bem, vi um DVD na casa do Felipe.
- Que DVD?
- O pequeno príncipe.
O robô dá outro tapa no filho.
- Ok, está bem. Era pornô choraminga o filho.
- O quê? Quando eu tinha a sua idade nem sabia o que era filme pornô! diz o pai.
O robô dá um tapa no pai.
A mãe ri:
- Ahahahahah. Ele é mesmo teu filho.
O robô dá um tapa na mãe.
Silêncio total.

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