No começo deste ano, uma cena chocou os policiais da Tropa Ambiental de Franca. Em uma fazenda no entorno da cidade, eles encontraram um bezerro sem as orelhas e com as patas bastante machucadas. O animal servia de “brinquedo” para um cachorro pitbull. O caso de maus-tratos é apenas um dos 134 registrados este ano pela Polícia Ambiental. O número pode ser ainda maior. Segundo o advogado Jean Marcelly Rodrigues Rosa, da ONG Cão que Mia, para cada caso registrado, outros cinco acontecem sem que as autoridades tomem conhecimento.
O capitão Fraga, da Polícia Ambiental, disse que, na cidade, as vítimas mais comuns são os pássaros silvestres. “São comuns os casos em que eles são mantidos em gaiolas apertadas, sujas e sem alimentação. Há também casos em que as aves têm as asas e os bicos cortados. É muita crueldade.”
Outros animais que comumente são maltratados são os cachorros. Um dos casos recentes envolve um cão que foi abandonado pela família que se mudou e deixou o animal preso para trás. A polícia foi avisada da situação por vizinhos. Em Patrocínio Paulista, na semana passada, outro caso chamou bastante a atenção. Uma denúncia anônima feita à ONG Cão que Mia levou os voluntários a uma cachorra que pode ter sido vítima de abuso sexual. “Encontramos ela toda machucada. Presa pelo focinho. Num exame preliminar, a veterinária disse que os órgãos sexuais dela estavam bastante comprometidos”, disse Aleni Papacídero, da ONG.
Entre as denúncias que mais despertaram revolta nos policiais foi a de maus-tratos ao bezerro. “Ele (o dono do animal) permitia que o cachorro atacasse e mordesse o bezerro como se ele fosse apenas um brinquedo. Tão chocante que até fotografamos”, conta o capitão. O animal foi resgatado pela Polícia Ambiental. Seu destino e o nome de seu torturador não foram divulgados.
Este caso faz parte da lista de 14 inquéritos contra pessoas que maltrataram animais que a Polícia Ambiental encaminhou ao Ministério Público. “Essa prática é crime. O autor responde tanto na esfera ambiental, com multa de R$ 1 mil e mais R$ 500 por animal, quanto na esfera criminal, com pena de detenção prevista de até três anos”, disse o capitão Fraga.
Quando a Polícia flagra um animal em condições de maus-tratos, ele é imediatamente retirado de seu dono e encaminhado a um veterinário que elabora um laudo narrando o estado físico do animal. Depois, se for silvestre e ainda estiver apto a viver em seu hábitat natural, é novamente solto. Caso contrário, é encaminhado para adoção por particulares cadastrados ou universidades. “No caso de adoções, sempre nos certificamos de que os animais serão bem tratados e que receberão todo o cuidado necessário para que possam viver bem.”
Em Franca, ainda não há nenhum centro público especializado em receber animais vitimizados. “Normalmente, esses bichos são encaminhados para a Unifran, para o Centro de Zoonoses da Prefeitura ou para Clínicas Veterinárias Particulares que prestam serviços voluntários”, disse o capitão.
A própria ONG Cão que Mia é uma das que recebe animais vítimas de maus-tratos. “Não são poucos os casos de cães e gatos abandonados e maltratados que chegam até nós. Não temos um balanço, mas posso garantir que são muitos animais”, disse Jean.
Veja fotos do bezerro atacado no Blog do Vaz.

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