Fernando Pimentel, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior é o sétimo ministro a cair na boca do povo e na mira da oposição e dos órgãos controladores em menos de um ano de governo.
Como os outros seis, fatalmente deve sair pois, culpado ou inocente, não tem mais representatividade e tranquilidade para o exercício de suas funções. Ficando, corre o risco de, ao invés de trabalhar, ter de passar seu tempo explicando-se.
Seria muito importante que, como decorrência dos dissabores vividos nesse período, a presidenta realizasse um pente fino em sua equipe e aproveitasse a mini-reforma ministerial já anunciada para o início do ano, para fazer uma efetiva faxina nos corredores do governo. E que, à sombra do apurado e das possibilidades de outras crises, se necessário, promovesse uma maxi e não uma mini-reforma.
Os ocupantes de cargos no governo deveriam ter um pouco mais de lealdade ao governante. Sabendo ter problemas, não deveriam aceitar ou lutar pelos convites a integrar ministérios e outros órgãos públicos. Já empossados, quando da possibilidade de se tornarem pivôs de crises, o ideal é sair imediatamente. Nada de se defender usando as prerrogativas do cargo e, consequentemente, deixando de exercer as atividades de sua obrigação, como tem frequentemente ocorrido. No governo não pode haver lugar para suspeitos.
É desconcertante o valor astronômico que determinadas corporações pagam por “palestras”, “consultorias” e serviços prestados por ex-integrantes do governo e afins. Com muito menos do que os valores ultimamente conhecidos, sem qualquer dúvida, poderiam contratar verdadeiros gênios do meio universitário e das ciências. Mas o mercado só se interessa pelo político. Por que será? Desde a proclamação, nossa república viveu décadas de instabilidade institucional, mesclando períodos de autoritarismo e de democracia (alguns nem tão democráticos).
Por conta disso e da falta de instrução e tecnologia, não houve a necessária montagem dos ritos, comportamentos e relacionamentos entre governos, cidadãos e corporações. Durante muito tempo, as coisas eram determinadas por códigos de honra e, muitas vezes, a honra acabou.
Hoje temos democracia e tecnologia. Precisamos estabelecer regras claras e,com isso, evitar os sobressaltos e, principalmente, os salteadores do erário.
O Brasil de hoje precisa resolver a difícil equação do financiamento das campanhas eleitorais, a relação das empresas com o governo, a função das ONGs e o código de ética dos políticos. Sem isso, mesmo com todo o nosso potencial, jamais teremos um bom lugar no concerto das nações.
Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente, diretor da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo
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