Divórcio em alta


| Tempo de leitura: 2 min

Franca é uma cidade bastante religiosa e conservadora. Mesmo assim, vê crescer - como se verifica em outras partes do país - o número de divórcios, segundo aponta a pesquisa ‘Estatísticas do Registro Civil’, realizada pelo IBGE. De acordo com o estudo, 651 casais se divorciaram no ano passado. O número por si só pode não representar muito, mas quando se compara com o total de casamentos dissolvidos no ano anterior, ele ganha uma dimensão diferente. Em 2009 375 matrimônios chegaram ao fim oficialmente em Franca. Ou seja, o total em 2010 foi quase 75% maior.

As explicações para esse crescimento, como sempre, não são fáceis de serem encontradas. Talvez porque não obedeçam a uma única causa, mas a uma série de transformações que vão aos poucos impactando os costumes e as regras do convívio social.

Dentre essas transformações, com certeza a mudança na lei do divórcio é bastante significativa. Agora qualquer casal pode se divorciar sem ter que se separar judicialmente durante o período de um ano. Porém, com certeza ela não explica sozinha todos esses casos.

Há também outras explicações. Entre elas, é possível afirmar que a intensa materialização da vida moderna tem priorizado as coisas em detrimento das pessoas e do próprio relacionamento entre elas. Dentro desse contexto, a família estaria vendo seus laços se diluírem ante a pressa e a correria do nosso cotidiano, muito dele voltado para o prazer, o entretenimento e à aquisição de bens materiais.

Aparentemente, aspessoas estão também menos tolerantes, não apenas no sentido da violência, mas também na falta de paciência para reorganizar os relacionamentos que vão se desgastando com o tempo, algo normal em todas as sociedades humanas.

Além disso, o imediatismo da vida contemporânea parece também contribuir para o fim daquela união que um dia pareceu bastante apaixonada e realmente indissolúvel. Para as gerações atuais, 30, 40 ou 50 anos de casados parece uma eternidade, difícil de ser encarada em uma sociedade que não só oferece como estimula novas experiências.

Mas há outro fator importante a ser considerado. A independência financeira da mulher em relação ao homem, em função de sua participação mais ativa no mercado de trabalho, certamente influencia as mulheres a desistirem de seus casamentos. Se antigamente as mulheres, mesmo esquecidas, maltratadas ou traídas tinham dificuldades de desistirem de seus cônjuges, entre outros motivos porque deles dependiam financeiramente, hoje esse problema está ficando para a história.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários